<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920</id><updated>2011-12-27T07:17:04.245-08:00</updated><title type='text'>As Páginas Soltas</title><subtitle type='html'>Soltas, mas o vento as carrega de significado</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-386510579957090386</id><published>2011-12-27T07:16:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T07:17:04.254-08:00</updated><title type='text'>Maresia</title><content type='html'>&lt;div&gt;Como se não houvesse mais nada para perder em sua vida, seu amante lhe escapara dos dedos como fumaça, e a deixara totalmente sozinha no mundo.O modo como as Omoplatas dele se moviam debaixo da mescla de algodão e poliéster no seu calmo passo para longe foi talvez um pouco demais para seus nervos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela se via agora no meio de um mar de xícaras de café abandonadas pelo meio, com as bordas pintadas pelo seu batom borrado e salpicadas com a cinzas da profusão de cigarros vagabundos que ela fumara para diminuir o passo sincopado que a cafeína impunha ao seu coração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Olhou pela janela meio encoberta pela cortina: chovia torrencialmente, e ela achou isso muito conveniente para a situação. Nada combina mais com a completa desolação de quem nada mais tem do que a chuva lavando tudo para longe, além do mais ela gostava do ar úmido. Cheirou seus lençóis, sentiu cheiro de maresia, para ela parecia cheiro de saudade. Saudade que os relâmpagos lá fora entrecortavam com seu clarão de quando em vez, a única claridade que ela vira em dias e que refulgira no mar de mais de cem xícaras de China branca que se espalhavam por todo o quarto, tal qual um campo de tulipas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela continuou segurando o lençol cobrindo o nariz, bem rente aos olhos, as unhas azul-português descascadas constrastando ao tom de cinza do tecido envelhecido. Chorar? pra chorar tem de se sentir algo, e ela tinha a certeza de que quer que ela tivesse dentro dela estava esturricado e retorcido; apenas continuou aspirando o cheiro de brisa e alga marinha que misteriosamente apareceu em sua cama.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Ele velejava" ela lembrou, e o mar dentro dela finalmente gotejou. Ela queria que ele navegasse seu vasto oceano, mas ele preferia o Pacífico Sul, e ela ficou perdida entre as vagas que rebentavam dentro dela e o lago plácido das xícaras que a cercava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E deitou-se, deixou-se afogar pelos lençóis marinhos que a cercavam, uma xícara que estava aos seus pés deslizou e estourou no chão, mas ninguém a ouviu - reboara um trovão lá fora - ninguém a ouviria também, entre as vagas de um Oceano salgado que começara a irromper.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-386510579957090386?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/386510579957090386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=386510579957090386&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/386510579957090386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/386510579957090386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2011/12/maresia.html' title='Maresia'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-2136408653095055474</id><published>2011-05-02T13:08:00.000-07:00</published><updated>2011-05-02T13:39:54.992-07:00</updated><title type='text'>Anos de Silêncio</title><content type='html'>Naquela cidade não se falava havia muitos anos, a última palavra proferida soara há tantos anos que ninguém tinha idéia de quando foi. Só se sabia que um belo dia, todos amanheceram calados e se mantiveram em seu silêncio monástico.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As próprias pessoas eram a encarnação do silêncio: andavam cabisbaixas, os ombros encurvados e pendendo para frente, numa fisionomia que parecia o misto de medo e desânimo. De tanto silêncio, até sua carne tinha mudado para um tom acinzentado por cima do branco rosado de antes, até os cabelos saíram do louro para a cor de algodão sujo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eis que um dia chegou um forasteiro àquela cidade onde até o cascalho parecia ter medo de ressoar debaixo dos pés do povoado. Trajava negro, e carregava uma caixa firmemente agarrada em seus dedos longos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parou no meio da avenida central num dia em que por mais que estivesse claro, o céu parecia negro. A rua estava deserta, mas pouco a pouco uma tímida e amedrontada plateia se formou ao redor do homem que não esboçava uma expressão sequer, apenas segurava firmemente a caixa com suas mãos cadavéricas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seus olhos então se abriram e ele analisou demoradamente a multidão que o cercava, cheia de olhares urgentes e mãos se apertando umas nas outras. Julgou-os de algum modo satisfatórios ou merecedores, e então ofereceu-lhes a caixa, com um sorriso indecifrável no rosto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os olhares contritos de outrora toranaram-se arregalados de espanto, e uma curiosidade mordaz palpitava em seus corações, debatendo-se contra as costelas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um deles ousou então dar um passo à frente, em direção á oferta do forasteiro. - se era jovem ou velho, não se sabe dizer, todos portavam a mesma feição de rocha fria e silente. - A caixa então foi solenemente passada para suas mãos, para o gozo do forasteiro que entrelaçava os dedos e expandia o ilegível sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As mãos que seguravam a caixa hesitaram no botão que liberava sua tampa, até que pressionaram-no, e um clique metálico soou. A pequena multidão se encolheu sobre sí mesma enquanto a dobradiça deslizava levantando a tampa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos os olhares intrigados mergulharam em direção à esfera de luz e cor que havia dentro da caixa, e todos sentiram uma curiosidade ainda maior sobre o que o forasteiro trouxera.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o forasteiro desaparecera quando os olhares se levantaram para procurá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os mesmos dedos que pressionaram o botão seguraram a esfera de luz e abandonaram a caixa vazia no chão. Todos os olhos agora a fitavam com desejo, fascínio, medo, e outras emoções que não cabem nas palavras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De repente, uma pluma de éter e vapor se desprende da esfera, e meneia preguiçosamente até próximo do rosto do intrépido portador da esfera. Sua boca escancarada de espanto torna-se o berço da nuvem que caminhara pelo ar, e que garganta adentro se precipitou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E um gorgolejo, um balbuciar humano se projetou para fora dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O espanto foi geral, a multidão se retrai para longe enquanto o portador da esfera a examinava intrigado, e instintivamente balbuciava novamente, descoordenado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mil sentimentos brotaram das espantadas almas dos que viam a cena. Olhares confusos foram trocados tentando entender o que se passava, enquanto o balbuciador exclamava, agora em júbilo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quantas gerações haviam surgido e sumido sem escutar esse som, que agora ouviam ecoando entre as casas? Ninguém sabia, nem poderiam pensar, suas mentes estavam embotadas com um único pensamento:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Eu tenho de pegá-la parar mim!"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O balbuciador logo se pegara cercado por um mar de olhos famintos, e lentamente desceu o braço da esfera junto para sí. Foi interceptado por uma mão que cerrou-se sobre seu pulso, puxando-o para longe. Mãos oportunistas agarraram os dedos da esfera, cravando as unhas na carne, bocas cobiçosas mordiam braços entrelaçados para obrigá-los a cederem, tentando abrir caminho em direção à bolinha de luz na ponta de dois finos dedos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Logo a multidão se tornara um emaranhado enrubescido pelos talhos que dentes, unhas e punhos rasgavam uns nos outros. enquanto isso, o forasteiro conservava o mesmo sorriso imenso e enigmático, acenando tchau para a cidade onde disseminara tão curiosa situação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ninguém notou que suas pegadas não tinham calcanhar&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-2136408653095055474?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/2136408653095055474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=2136408653095055474&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2136408653095055474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2136408653095055474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2011/05/anos-de-silencio.html' title='Anos de Silêncio'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-7585311332932722624</id><published>2011-02-19T20:03:00.000-08:00</published><updated>2011-02-19T20:06:26.312-08:00</updated><title type='text'>Sprawl</title><content type='html'>&lt;div&gt;Augusto era um típico retrato do adolescente decadente da classe média. Era vazio de grandes ambições e realizações, indiferente ao que lhe ocorria ao entorno, com um mundo focado no seu próprio umbigo e uma força vital destinada apenas a satisfazer seus desejos rasos de garoto mimado na puberdade. Vazio de emoções e infértil para as artes e engenhos humanos, ele apenas existia no mundo, misturando-se ao mar cinzento de tédio e morosidade do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vivera até a fatídica data em torno de dezoito anos de vidinha boba, preocupada com garantir companhia de Shopping no final de semana e com baladas calibradas a preço de qualquer psicotrópico que houvesse por perto. Foi então numa dessas que lhe acometeu uma revolta oca à sua rotina monótona de filhinho-de-papai.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saíra então, furioso e gritando "Isso tudo é uma puta merda!", empurrando as pessoas no caminho para fora do prédio onde a música alta e os neons piscantes abafavam as percepções de todos. seus amigos-pelegos, de personalidade ainda mais diminuta que a de Augusto, que lhes era mais do que amigo, algo mais para um líder e senhor soberano, seguiram-no rapidamente, repetindo a grosseria de ombrar e empurrar todos no caminho, encontrando-se todos então na calçada, madrugada deserta, com Augusto entupindo-se de coca, tanto cola quanto ína.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os olhos de Augusto caçavam vorazmente pela rua vazia algo que pudesse saciar a sede de emoção e turbulência que ele tanto ansiava para curar-se momentaneamente do tédio burro de sua vida. Até que seus olhos caíram sobre um rapazinho magro, um pobre coitado voltando de seu trabalho que se arrastava madrugada adentro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Poucos passos foram precisos para que o bando tivesse cercado o rapazinho com todas as más intenções e sorrisos diabólicos possíveis. Estavam em quatro animalotes treinados em academia contra um diáfano rapaz que tremia na expectativa do seu desfecho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O punho fechado de Augusto foi o primeiro a voar, indo de encontro ao nariz do rapazinho, que jorrou sangue e foi amparado com as mãos em meio a um urro de dor. Todos os quatro então fizeram chover pancadas nele, que rapidamente caiu de joelhos, e logo estava estirado no chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas Augusto ainda não se deu por feliz com a adrenalina da violência, e tomou o rapazinho apenas para si, esmurrando-o até que não se ouvisse mais seus gemidos de dor. Soco a soco, ele arrancou cada gota de sangue que pode da vítima, até que ele fosse um saco de pele inerte, coberto de hematomas, e sem vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos fugiram de imediato ao perceberem o que houve, largando Augusto pra trás, sozinho com o defunto que produzira. Imediatamente, a chapação da droga passou, deixando-o terrivelmente sóbrio, sóbrio demais para aguentar cair na real do que ele acabara de fazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com os olhos arregalados, Augusto olhou suas mãos que tremiam de tensão, e as viu vermelhas, como que com uma luva, com o sangue do finado rapaz. E ele enxergou nessas manchas a mugre, o encardume e toda a carepa da vida ridícula e vazia que levava; tão podre de vícios, tão carregada de tolices, e agora coroada com um crime hediondo: uma vida tomada por mero capricho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Correu. Suava frio, tinha ânsias de vomitar, tinha ganas de chorar do pânico burro que lhe brotava ao tentar processar o que fizera em sua cabeça e suas consequências. Chegando em casa, trancou-se no quarto, contendo os soluços desesperados que surgiam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi então que ouviu as vozes que cantavam em seus headphones, fazendo uma cama sonora pra sua vida fútil. Pareceram-lhe vozes de Santos, anunciando-lhe uma redenção em meio ao seu desespero, e pôs-se a construir o caminho de sua redenção, no silêncio absoluto garantido pelas pílulas pra dormir de seus pais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Teve então o seu pecado-mor de nascença perdoado pela santa Cruz, embora seus pregos fossem de lençóis amarrados aos pulsos. Entre as montanhas de concreto e vidro que se estendiam além das montanhas, teve seu Santo Repouso longe &lt;i&gt;rat race&lt;/i&gt; que seria retomada ao nascer do sol.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-7585311332932722624?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/7585311332932722624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=7585311332932722624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/7585311332932722624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/7585311332932722624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2011/02/sprawl.html' title='Sprawl'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-6814539744617658118</id><published>2010-09-02T03:47:00.001-07:00</published><updated>2010-09-02T04:29:43.284-07:00</updated><title type='text'>Casa</title><content type='html'>A figura diminuta do rapazinho andava destoante do resto da paisagem. Ele andava pelo meio de uma clara passagem de pedra serpeante no meio de árvores frondosas e espaçadas, que a despeito do céu cinzento corriqueiro, pareciam no meio de um dia suavemente ensolarado; já ele trajava um cardigã preto alguns números maior, ficando ainda mais miudinho, com apenas as pontas dos dedos vendo a luz do dia pelo final das mangas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada passo que dava, seus tênis estalavam pedrinhas e galhos que se prendiam no meio do pavimento  irregular. Cada barulho novo fazia com que ele procurasse urgente a origem desse barulho como que vindo de longe, esquadrinhando a paisagem com olhos arregalados e muito negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele próprio não entendia porque estava ali, algo parecia puxá-lo com uma força intensa e inefável, e ele sucumbiu a ela e seguia o caminho com tensão crescendo a cada instante. Não suava por estar quase a zero grau centigrado, mas cada átomo do seu corpo vibrava em um tom urgente como que tentando alertar o todo do quão estranha era a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente o caminho morreu. A via de pedras claras e cascalhos acabava em um bordo reto, dando de frente a uma árvore magnífica. Ele ficou fitando a árvore, com um espanto tão inexplicável quanto o motivo dele lá estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um frondoso carvalho, com um tronco incompreensivelmente largo e de uma cor tão densa e profunda que não parecia real, e com uma copa imensa, que se abria mais de metro para os lados, e vários metros acima, com folhas do verde mais pesado e lindo que ele já vira. A copa era densa e fechada, não deixava passar sequer um facho de luz, parecia composta de uma peça só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou olhando pra cima, diretamente para a copa que pairava não muito mais alto que ele, sentindo uma estranha familiaridade. Até que então a porção de folhagem logo acima e à frente dele agitou-se por um instante, e alguma coisa saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um grandíssimo inseto, num tom de amarelo escuro terroso, com um tórax redondo, de onde partia um par de patas compridas e roliças, ainda que mais ou menos finas. Tinha dois olhos completamente negros, do tamanho de um punho, e mandíbulas laterais do tamanho de uma mão aberta, parecendo capazes de quebrar um osso se tivessem intenção. O resto do inseto estava ainda mergulhado nas folhas que se torciam ao redor do corpo, quase como se quisessem se tornar um só com a criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele quedou-se imóvel mesmo após surgir tão impressionante figura. Não esprimiu um som, sequer moveu os braços, apenas ficou fitando fixamente a criatura que emergiu da copa do carvalho. Era possível ver o reflexo do inseto nos olhos dele, de tão intenso e fixo que era o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão de tal criatura trazia terror a qualquer pessoa que se deparasse com tamanha quiméra, mas ele continuava incólume e imperturbável ao olhá-lo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele via ternura no olhar do inseto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Casa... para mim?" disse ele do nada, ainda olhando em direção à copa da árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inseto apenas continuava retribuindo, silencioso e imóvel, o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele deu dois passos tímidos em direção ao tronco, para ficar mais abaixo do inseto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Me leve pra minha casa, minha casa nas árvores" falou, ao estender os braços pra cima, em direção à copa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inseto não fez um único som, apenas estendeu as duas patas compridas que até então pendiam suaves, e içou-o por debaixo dos braços, recolhendo-se lentamente para dentro da folhagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A folhagem estremeceu toda por um instante assim que os dois desapareceram no mar de folhas verde-escuro. Tudo continuou silencioso como estivera desde o início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas um vento gelado varreu o final da via, assoviando suave e remexendo as folhas do carvalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-6814539744617658118?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/6814539744617658118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=6814539744617658118&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/6814539744617658118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/6814539744617658118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2010/09/casa.html' title='Casa'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-8436652047211462337</id><published>2010-08-03T05:01:00.000-07:00</published><updated>2010-08-03T05:01:19.446-07:00</updated><title type='text'>Olhos tristes</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;[por mais que o personagem a quem o narrador se refere seja "eu", esse encontrinho de conto de fadas nunca existiu]&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguma insistência da parte de uma amiga, fui conhecer o rapazinho que ela queria tanto me apresentar. Devo dizer que de início, ao vê-lo de longe, senti uma pontinha de arrependimento: enquanto todas as outras pessoas eram bem nítidas em suas cores, esse rapazinho que trajava cores escuras era uma apariçãozinha fosca, quase uma sombra ou um vulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao chegar perto, fui esquadrinhando melhor a figura. A minha amiga nos apresentou, e enquanto ela falava, eu o lia, tentando entender o que via. Ele era atraente demais pra ser feio, mas não o suficiente pra se gabar de beleza, era um pouco pequeno, se bem que tudo em sua compleição era pequeno e magro. Mas o que me prendeu a atenção foram seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram olhos de um castanho quase negro, uma cor corriqueira, mas havia algo neles que me deu trabalho pra explicar: seus olhos não pareciam muito pertencer a este mundo, pareciam não serem constituídos da mesma matéria de todo o resto. E seu brilho era diferente, não era aquele brilho cristalino de olhos alegres e bem lubrificados, o brilho daqueles olhos era frio e tristonho, como o brilho da prata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final da curtíssima apresentação dela, estendi-lhe a mão, e ele apertou-a de um modo curioso, amigável mas sem peso, e em seu rosto esboçou-se um sorriso enevoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugeri o cinema, ele aquiesceu, dei-lhe a preferência de escolher o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vamos ver este, tenho ouvido falar bastante dele" ele disse vagamente. Dava pra perceber que ele não estava realmente interessado naquele filme, mas os demais em cartaz eram filmes de modinha adolescente que, pra minha sorte, ele também não gostava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compramos os ingressos e nos precipitamos pra dentro da sala; ou melhor, ele nos precipitou pra sala. Ao que me pareceu, ele não estava se sentindo nem um pouco bem no meio a multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou o filme, foi bastante silencioso, tirando comentários pontuais dele. Gostei um pouco de seu sarcasmo, apesar dele ser bastante confuso e, de certo modo, triste. Triste demais pro tom do filme, um espalhafatoso Blockbuster de ação cheio de figurões de Hollywood.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um momento de silêncio pesado vindo do nada, como se de repente a coisa tivesse perdido a graça. Nesse instante virei-me e beijei-o, e ele acompanhou meu movimento. Seus beijos tinham gosto de saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarde da noite, estávamos só nós dois. Até ali ele era silencioso, apenas a respiração mudara, ficando pesada e ofegante, com o seu diafragma prensado sobre o peso quente que seus braços envolviam e mãos desbravavam. Eu encarava de frente aqueles olhos tristes, que me pareciam ainda mais etéreos sem os óculos de grau que ele usava torto sobre o nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dormira ali, meio apoiado na minha lateral, os seus olhos pareciam tristes mesmo fechados. Não parecia uma posição confortável de se dormir, a que ele estava, então puxei-o para desembaraçá-lo do emaranhado em que ele se pusera; nesse movimento, senti os batimentos de seu coração sob minha mão. Até nisso ele era diferente das centenas de corações que eu auscultara no trabalho: o dele, em vez de bater, parecia de algum modo soluçar, como que num choro ressentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei na manhã seguinte, estava sozinho. Achei na mesinha da cabeceira um bilhete escrito por ele, com as frases cortadas, puladas pra linha seguinte, parecendo um poema de métrica estranha. Tinha seu número escrito numa caligrafia sofrível. Acho que vou ligar, e tentar entender mais uma vez aqueles olhos tristes feitos de vapor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-8436652047211462337?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/8436652047211462337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=8436652047211462337&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/8436652047211462337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/8436652047211462337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2010/08/olhos-tristes.html' title='Olhos tristes'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-1439349308387859801</id><published>2010-07-09T07:01:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T07:05:06.740-07:00</updated><title type='text'>Literato</title><content type='html'>O autor finalmente terminara de escrever sua primeira obra, seu romance germinal, após quarenta e cinco longos anos. Não conseguia acreditar que após quatro massacrantes décadas conseguira afinal expelir as seiscentas páginas da intricada trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se na poltrona velha, em frente à mesinha onde apoiara a velha máquina de datilografia, e apanhou uma xícara de Orange Pekoe. Estava feliz como jamais estivera, ao completar uma missão que tomara quase sua vida inteira. Folheou o calhamaço e começou a se lembrar de quando começou a bater na máquina o que vinha na sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrava de como surgiram a Caterina, o Padre Tartufo, como as tramas foram pedindo cada vez mais coadjuvantes e tempo, e seu peito foi estufando de orgulho ao pensar que saíra dele aquele pequeno universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sacrifícios... começava a se lembrar deles: dos anos quase inteiros passados em claro, das olheiras que nunca mais sairiam, agora que tinha sessenta anos, de como as costa faziam barulhos assustadores quando se mexia bruscamente, e com certeza os dedos rígidos de fazer força nas teclas duras da máquina centenária. Mas também lembrava de como se isolara do mundo, e tão relutantemente saía de casa apenas pra pagar as contas e abastecer a geladeira. Perdera amigos pelo simples fato de sequer vê-los mais, perdera todos os agitos da mocidade por ter a alma sugada pela necessidade de fazer a família de Caterina nunca saber dos seus planos de poder. Mas talvez o que mais penasse foi Daniela tê-lo deixado, após incontáveis tentativas de mantê-lo neste mundo; ainda se lembrava das lágrimas descendo pelos cantos da boca chorosa dela ao se precipitar pela porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para ele tudo valera a pena, afinal devotara cada sinapse e respiração pra fazê-lo o livro perfeito, reescrevendo cada parte até atingir a perfeição em forma e conteúdo. E agora, ele estava pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chorava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lágrimas desciam pelo rosto macilento de uma vida inteira de penúrias pela literatura, mas não era lágrimas de júbilo. Elas tinham um gosto amargo. O autor acabara de ver que tinha dado uma vida toda ao seu livro, e agora estava velho. Um velho de joelho duros, braços cansados e vista turva; não tinha mais razão para viver, pois só soubera viver pelo livro que escrevia. Começava a odiar ter chegado ao final, e se sentia cada momento mais desesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No turbilhão desse desespero, correu até a porta da rua e trancou-a, fez o mesmo com cada uma das janelas e juntou todas as chaves na mão, atirando-as pela janela do basculante do banheiro. Pegou o texto pronto e rasgou-o em dois, atirando as folhas na fornalha que aquecia a água do banho, verificou os depositórios de chá e o balcão da cozinha e constatou que tinha Orange Pekoe, chá de jasmim e biscoitos amanteigados o suficiente para várias semanas. Então pegou mais um calhamaço de papel, uma fita de máquina de escrever, e voltou à primeira cena do livro, quando Caterina confidenciava ao Padre Tartufo que &amp;nbsp;se incomodava com a maneira displicente de como sua família levava a vida nobre que tinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-1439349308387859801?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/1439349308387859801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=1439349308387859801&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1439349308387859801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1439349308387859801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2010/07/literato.html' title='Literato'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-1205497985910461227</id><published>2010-05-18T10:43:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T10:43:51.517-07:00</updated><title type='text'>Fotograma</title><content type='html'>E de repente Lídia toma consciência de que estava livre de tudo o que a prendia com pregos pelos pés àquele lugar. Mas não sorriu, não abriu os braços e exclamou um "Viva!" pela sua liberdade; muito pelo contrário: ela se amedrontara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amedrontada porque agora não tinha mais guia na vida, não sabia mais o que faria. Rotina e protocolo foram ao chão, patrão não tinha mais, emprego não necessitava pelo resto de sua vida, nunca fora afeita a namorados ou cônjuges, portanto não carecia de um. Mas agora que Lídia não tinha mais um trilho por onde deslizar pela vida, ela se assustara um bocado com a pressão que é ter de decidir sua vida por conta própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirou por um instante, estremeceu, e precipitou-se pela porta da rua, pegando uma bolsa aleatória no cabideiro. Saiu apertando o casaquinho azul-celeste de tricô contra o corpo se resguardando do vento regelado que varria as folhas caídas das muitas árvores da calçada, e andou por alguns quarteirões olhando ressabiada pra todo lado através dos seus óculos retrô "de gatinha". Só depois de andar por vários minutos que ela parou pra olhar a bolsa que ela tinha pego ao sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma bolsa meia-lua de couro preto, que Lídia reconheceu ser uma bolsa que ela não usava havia seguramente mais de uma década. Revirando seu conteúdo, em sua maioria pequenos itens de maquiagem há muito expirados e quinquilharias distribuídas como brindes pela empresa onde trabalhava, ela encontrou uma câmera fotográfica dentro de um estojo de vinil preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Lídia lembrou de como antigamente ela amava fotografar, e do seu hábito dominical de sair de bicicleta até o parque da cidade e gastar rolos e rolos de fotogramas com as paisagens que surgiam por entre as árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E num sentimento de "sim, porque não?", seus pés começaram a encaminhá-la para os lados de sua paragem dominical, onde um rolo que esperou anos pra ser finalizado finalmente retratou o que iria ocupar os muitos dias livres de Lídia dali por diante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-1205497985910461227?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/1205497985910461227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=1205497985910461227&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1205497985910461227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1205497985910461227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2010/05/fotograma.html' title='Fotograma'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-8772575607597895655</id><published>2010-04-17T20:15:00.000-07:00</published><updated>2010-04-17T20:15:21.605-07:00</updated><title type='text'>Abril (falando um pouco do Autor)</title><content type='html'>No meio de Abril começava então de fato a estação chuvosa, enchendo o ar de um cheiro nada agradável de terra encardida molhada, e reavivando as preocupações de enchente de uma rua de paralelepípedos perdida numa cidade portuária de um estado esquecido em um país sulamericano. Junto com essa chuva, vinha também uma estranha melancolia no coração do Zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, acontece que eu sou Zero, e eu sou notavelmente depressivo. Mas esse Zero sou eu e também não sou; é meio que como se uma outra entidade se apossasse do meu humilde corpo, diferenciando-se do morados original por uma característica comum: a depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A depressão original, a "minha", é amarga, fria e solitária. Ela me abandona nos cantos escuros, com boca amargada e fechada, cenho franzido, e tendo de lirismo apenas a quantidade homérica de música sombria, tristonha e complexa ouvida nesse ínterim. Já a "depressão do Zero", que se inicia com as chuvas de inverno, é de todas a mais bela dentre as depressões do mundo; ela é embebida de um lirismo triste, de olhos decaídos e nublados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zero deixa com ela de ser arredio e se esconder, e começa a vagar pelo mundo, esquadrinhando cada detalhe dele com olhos famintos e periciosos, ainda que opacos. É cheia de (pasmem) empolgações, todas de certo modo artísticas: é um interesse reavivado por fotografia, é o garimpo por música nova e inusitada... Mas é principalmente à lira que mais pende este afã. Da caneta esferográfica azul escorrem sonetos de métrica contada no dedo, versos livres descadeirados sob medida, tercetos, heptetos, e outros tantos filhotes do poema brotam dos lábios sempre calados e das mãos sempre afaimadas do Zero do Inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas inda assim sente-se o lado amargo do qual advêm o termo dessa melancolia... é um eterno desalento, um incomodo enfado, um coração com o peso do Ósmio e inúmeras dores esburacando-o. Desta vez o que o aflige é a dura solidão, e a brusca vontade de pedir-se de novo ao ex-namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofre sim, e muito, o Zero do Inverno, de dar dó e preocupação aos amigos que observam-no de pulsos atados à situação levemente hermética; tanto quanto sofro eu em minha deprimente situação; mas esta poderia passar, caso fosse vencida minha resistência em buscar ajuda profissional e junto fosse ministrada medicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que ninguém ouse tocar na tímida depressão do Zero do Inverno, pois sua fugaz e incoerente beleza se vai assim como as belas e gordas rãs marrons das poças dos matagais dos arredores da rua de paralelepípedos, ela se vai com o estiar dos aguaceiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-8772575607597895655?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/8772575607597895655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=8772575607597895655&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/8772575607597895655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/8772575607597895655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2010/04/abril-falando-um-pouco-do-autor.html' title='Abril (falando um pouco do Autor)'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-2366059504542573743</id><published>2010-03-25T12:20:00.000-07:00</published><updated>2010-03-25T12:20:40.097-07:00</updated><title type='text'>Bruxa</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;div&gt;Carmem corria desenfreadamente em meio ao matagal, sem ligar pros pés &amp;nbsp;descalços pisando brutamente as pedras encrustadas na lama batida, nem &amp;nbsp;com as ervas venenosas e galhos espinhosos que atacavam seus &amp;nbsp;calcanhares. Corria descalça e desabalada, com o coração quase na &amp;nbsp;garganta e os pulmões em brasa. Corria em fuga, corria com medo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em seu encalço, em meio ao arvoredo selvagem que odiava que por ele &amp;nbsp;corressem, vinham três homens com fúria nos olhos, dentes cerrados, e &amp;nbsp;armas nas mãos. Corriam protegidos até o pescoço com roupas pesadas de &amp;nbsp;caça na neve, com suas botas fazendo um ronco surdo ao triturar o solo &amp;nbsp;em passadas duras. De quando em quando um deles bradava: "Não deixem &amp;nbsp;que ela escape!".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas correr com medo leva mais longe e mais rápido, e Carmem conseguiu &amp;nbsp;perder-se do seu trio de caçadores, e encontrou um vilarejo. Era mais &amp;nbsp;de meia-noite, e todos dormiam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Carmem começou a rondar por entre as casas mizeráveis e carcomidas pelo &amp;nbsp;tempo, em busca de onde pudesse se refugiar até que seu coração não &amp;nbsp;mais doesse de medo, e ela pudesse ir embora sem ter de olhar por sobre &amp;nbsp;o ombro, em busca dos homens furiosos com armas em punho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nisto sái um menininho, que ia usar o banheiro coletivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os olhos de Carmem e do menino se cruzam, e fixam-se um no outro. Os do &amp;nbsp;menino se enchem de um medo sem explicação, os dela olham o menino da &amp;nbsp;cabeça aos pés, e suas pupilas se dilatam cobiçosamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Não..." Carmem balbucia para si mesma pondo as mãos na cabeça. "Não &amp;nbsp;posso..."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Não reprima suas vontades... Tu és teu próprio deus neste mundo de &amp;nbsp;alegorias"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os olhos de Carmem se enchem de uma luz faminta de cobiça, e sua &amp;nbsp;expressão muda de um quase-pânico pra um deleite. Os olhos do menino &amp;nbsp;começam a escorrer tímidas lágrimas de medo. Ele quer correr, quer &amp;nbsp;gritar, mas seu corpo entregou-se ao pavor, e seus joelhos tremem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ninguém presenciou o bote que Carmem deu em cima da criança indefesa, &amp;nbsp;nem como ela abriu a nóz de seu tórax; mas em um instante ela tinha o &amp;nbsp;coração ensanguentado da criança sendo rasgado por seus dentes &amp;nbsp;amarelados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Boa noite, bruxa" disse uma voz embalsamada de rancor. Carmem, dita &amp;nbsp;bruxa, com os farrapos do coração pequenino nas mãos tintadas de rubro &amp;nbsp;de sangue, olha para onde veio a voz, encarando diretamente o cano &amp;nbsp;fosco de uma carabina.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-2366059504542573743?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/2366059504542573743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=2366059504542573743&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2366059504542573743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2366059504542573743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2010/03/bruxa.html' title='Bruxa'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-264547405170803252</id><published>2010-03-13T19:09:00.003-08:00</published><updated>2010-03-13T19:09:55.000-08:00</updated><title type='text'>Tortura</title><content type='html'>Eu tinha acabado de recobrar a consciência, provavelmente tomada por aquele cheiro de hospital que denunciava o éter esfregado nas minhas narinas. Tentei me mexer, mas minhas pernas estavam unidas com fita adesiva náutica, que eu seria incapaz de romper com a minha força vacilante, ainda mais meio chapado. Tudo que eu dava conta de mexer do corpo eram os braços, ainda que imobilizado do ombro ao cotovelo pela mesma infame fita náutica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei puxar folego pra gritar por alguem, mas assim que fui inspirar senti uma coisa áspera a fina me estrangular a garganta. Procurei tirar esse incomodo obstáculo, mas minhas unhas mal o roçaram; estava tão apertado que, durante meu torpor, seja lá o que fosse, cortara a carne do meu pescoço e se enterrado nele de maneira irremediável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para os lados, tentando entender a situação, com o Pãnico enchendo o meu sangue de adrenalina, e cortando o efeito do narcótico. Passando os olhos pelo recinto, via o quarto de motel mais clichê, com tapetes felpudos, cama circular, e espelhos pra todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E num desses espelhos, pude me encarar de frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava com a mesma fisionomia bagaceira de sempre, aquele estilo e aparência clássica de motoqueiro barra-pesada; exceto que desta vez estava com o pescoço levemente tinturado de sangue, vindo da ferida que a corda da forca onde eu estava fizera... Espera aí, forca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, forca, estava numa forca, mas por algum motivo eu não estava pendurado nela, sufocando até a morte. Reagindo involuntariamente tomado de pânico e esperanças de sobrevivencia, comecei a me debater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada movimento espasmódico do meu corpo, se seguiu um som de algo grande raspando o chão. Meus olhos correram pela sala, procurando a fonte do som, até se depararem com o espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debaixo dos meus pés, me apoiando protegido do enforcamento, estava um grande bloco de gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não conseguia acreditar nos meus olhos, em me ver como ator de um teatro tão cruel, e ao mesmo tempo tão engenhoso. Uma técnica de tortura genial, fazer a pessoa ver seu irremediável fim chegar do ponto de vista de mil espelhos, esperando por horas pelo derretimento de um pedestal de gelo. Quase poético, o fim que algum maníaco elegeu como o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirei, os olhos ameaçando marejar de água, a respiração encurtada pela forca ficando ainda mais curta, resignei-me com o meu destino incomodo, com os braços tão limitados, resignei-me a fumar os vários cigarros que haviam no meu bolso sem remorso algum, agora sabendo que não seriam eles que me matariam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-264547405170803252?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/264547405170803252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=264547405170803252&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/264547405170803252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/264547405170803252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2010/03/tortura.html' title='Tortura'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-2545707342238044530</id><published>2010-01-27T08:37:00.000-08:00</published><updated>2010-01-27T08:37:42.342-08:00</updated><title type='text'>Lírio</title><content type='html'>A visão da minha janela era sempre cinza, tudo o que eu via era a cidade industrial decadente onde eu vivia, seus telhados cinzentos de amianto cobretos de fuligem escura, as casas encardidas, o asfalto irregular e esburacado, e as pessoas vestindo roupas escuras e puídas, de longas mangas pra suportar o frio glacial do vento que soprava constantemente, aumentando a sensação de desolação das ruas maltrapilhas. Mas ainda assim, por algum motivo, abrí-la e espiar o mundo através dela era a primeira coisa que eu fazia ao acordar, só depois indo comer o frugal desjejum que me serviam no pensionato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia, aconteceu de eu abrir a minha janela, e finalmente encontrar alguma cor entre o céu de nuvens de chumbo e a cidade de fuligem. Num lugar onde até as árvores eram enegrecidas e desfolhadas, nasceu um lírio no beiral de minha janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me faltaram palavras pra exprimir o espanto que tive ao ver tão delicada flor nascer, desviando a rota mecânica e automática que meus olhos percorriam pela floresta de telhados de carvão. Minha primeira reação foi de pura descrença, eu duvidava que algo tão belo e delicado teria nascido em meio aos tijolos fúnebres que compunham a parede, esfreguei os olhos com os punhos pra ter certeza de que não era uma ilusão ou um sonho, e belisquei meu braço pra ter ainda mais certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele era mais que real, e lá estava, firme, porém delicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longas horas passei admirando-o quando o descobri, até esqueci de descer e tomar o desjejum magro de todo dia. Estava absorto em seus mistérios, queria entender porque ele foi nascer logo na lúgubre cidadela onde eu vivia, quando havia tantos prados ensolarados, e florestas cheias de viço, queria entender como ele reuniu forças pra nascer em meio à densa atmosfera de tristeza e morte que pairava sobre nossas cabeças. Mas o que realmente me intrigava eram suas pétalas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas eram dum branco que jamais tinha visto naquele ambiente poluído, que ao caminhar pro miolo, tornava-se um amarelo intenso, levemente sarapintado de minúsculas sardas castanhas. Mas não era apenas a vivacidade das cores em meio ao mundo tão apagado, mas sim a sensação visual como um todo delas... elas pareciam como que desfocadas, ou envoltas numa aura, quase&amp;nbsp;translúcidas, dependendo do olhar dado à elas. Cheguei a achar que eram de cera, mas jamais toquei-as pra tirar a dúvida; mas meu coração dizia que eram feitas do mesmo material dos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram dez dias passando as manhãs e o anoitecer contemplando o lírio que nascera no beiral, todo o meu tempo livre era gasto meditando sobre as suas pétalas balançando suaves ao sabor do vento, todas as minhas palavras foram silenciadas pacificamente por sua presença. Tudo o que eu&amp;nbsp;ansiava&amp;nbsp;se direcionava à ele, e se encerrava nele. Poderia até dizer que me apaixonara pelo singelo lírio, pelo meu lírio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia, acordei e avidamente abri a janela para encontrar-me com ele, mas tudo com que me deparei foram seus restos mortais. As pétalas murchas e marrons, o talo acinzentado e mole, a única folha que havia no talo havia sumido. A atmosfera opressora da cidade finalmente fez sucumbir meu único afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos se passaram desde que meu lírio se foi, deixando uma inquietude em meu coração; mas ainda abro a janela toda manhã, e rondo a cidade com os olhos secos de quem perdeu a capacidade de chorar mágoas ou felicidades, na esperança de um dia re-encontrar aquela minúscula fagulha de vida em meio à um lugarejo perdido no esquecimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-2545707342238044530?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/2545707342238044530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=2545707342238044530&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2545707342238044530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2545707342238044530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2010/01/lirio.html' title='Lírio'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-5667780500110168925</id><published>2009-12-02T07:29:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T08:43:37.342-08:00</updated><title type='text'>A Cor do Mar</title><content type='html'>Estavamos os dois sentados no alto de um costão rochoso, onde lá embaixo as ondas rebentavam com um vagalhão. Ele olhava&amp;nbsp; animado para todo lado, observando o vôo dos pássaros, olhando os barcos de pescadores passando, tudo com um sorriso doce e extasiado no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eu estava agarrado aos meus joelhos e cabisbaixo, parecia estar olhando para os pequenos crustáceos que perambulavam pelas fendas da rocha onde estavamos mas, na verdade, estava evitando de olhar pra ele, por vergonha, e para mim, por desapontamento. Estava desapontado com minha covardia, por não poder-lhe dizer três palavras tão simples: "eu te amo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda em meio ao seu êxtase, ele vira e olha pra mim sem motivo aparente; seu cenho se franze ao me ver cabisbaixo em meio à uma cena que ele descreveria como não menos que "fantástica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"De que cor você vê o mar?" ele me pergunta após muito me fitar intrigado e de cenho franzido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu respondo, após um breve momento em silêncio pra absorver a surpresa dessa pergunta inusitada, dizendo que o via cinza, já que estavamos num dia completamente nublado e ventoso. Quase que um espelho trincado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele balançou a cabeça negativamente, mas sem deixar esmorecer o sorriso, e me retruca logo em seguida, "o mar está vividamente azul".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu discordava completamente, mas não ia treplicar, eu não conseguia discutir com ele jamais, ainda mais com aquele sorriso doce que afoga as palavras. Soltei apenas um "ahn?" pra ver o que ele diria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O mar, assim&amp;nbsp; como o resto do mundo, não foi feito para ser visto somente com os olhos, quantificado, medido, classificado, posto em amostras e exsicatas e analisado em laboratórios. Ele não é só cores e formas, elementos e energia, teias e ciclos, biomas e estratos... O mundo, acima de tudo, é feito de impressões e sentimentos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me soava um pouco estranho, desde que cresci filho de um químico e uma geóloga, acostumado a ver o mundo ser desenhado como reações e aglomerados de sedimentos, e por estar ingressando na biologia, começando a enxergar o mundo como um campo de batalha onde se competia arduamente para passar seu código genético à frente. Fiquei em silêncio, e foi minha vez de olhá-lo de cenho franzido, mas sem emergir completamente do emaranhado dos meus braços, pra não mostrar que estava corando ao fitá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As pessoas estão acostumadas a olhar o mundo como físico e palpável, por isso dizem que há lugares bonitos, lugares sem atrativos, e até lugares feios. Mas elas esquecem que o mundo é primordialmente uma coisa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murmurei "o que seria então?", mas meus braços abafaram a fala, e tudo o que ele deve ter ouvido foi um murmúrio surdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se virou pra mim, olhou com olhos firmes em direção aos meus, mas o sorriso ainda doce e encantador, agarrou minha mão e a levou até seu peito. No instante que minha mão passou unida a ele, seu coração batia fortemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É amor"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corei ainda mais, mas não tinha mais meus braços pra me proteger da visão dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É preciso amor pra ver do que o mundo é feito, e sua verdadeira forma. É por tê-lo que posso enxergar a essência das coisas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tê-lo o quê?" eu perguntei, ainda muito vermelho, e voz vacilando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não me respondeu nada, apenas sorria ainda mais intensamente, e juntou se rosto ao meu, de olhos fechados. Juntei-me à ele nesse passeio de olhos fechados, pois não precisava sequer abrí-los pra ver que o mar estava límpido, num tom intenso de azul&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-5667780500110168925?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/5667780500110168925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=5667780500110168925&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5667780500110168925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5667780500110168925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2009/12/cor-do-mar.html' title='A Cor do Mar'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-8987974966830935964</id><published>2009-11-28T18:40:00.000-08:00</published><updated>2009-11-28T18:40:49.214-08:00</updated><title type='text'>Du Og Meg</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Obs.: isso aqui não é pura criação minha, é uma tentativa de transformar &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=EYqDV59CDA4"&gt;"Du Og Meg", de Of Montreal&lt;/a&gt;, em conto. Não sei se deu certo, avaliar isso eu deixo pra vocês.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Elisa parecia não estar lá, mas milhas ao sul, navegando um alísio oportuno... mas ninguém parecia dar muito cabimento a isso. Ninguém parecia notar seu cenho franzido, seus olhos enevoados vagando no nada, nem o sorriso incerto, rompido vez ou outra por um suspiro adocicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava longe, num outro país, buscando por um par de olhos que iluminassem os seus, e uma boca pra sorrir em par com a sua... mais ainda, ela procurava por um em especial, ela procurava por Simas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, ela estufou o peito, firmou os olhos, e decidiu não suspirar mais. Mochila nas costas, bilhete no espelho, e embarcou num avião, fingindo não sentir o tenso calafrio que percorreu sua espinha quando alçou vôo em direção ao extrangeiro, em busca da solução aos seus suspiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela desceu direto da sexta fila, assento da janela, para os tão desejados braços , e as nuvens em seus olhos se desfizeram numa chuva morna no peito de Simas. Estava lá, e agora ia com ele pra onde fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simas empunhava um baixo, tinha uma banda começando a despontar, e viajava com uma trupe de hypes numa perua, tocando em inferninhos e festivais desconhecidos, e Elisa viajando com eles... a vida parecia um sonho, parecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi posta pra fora do país, afinal, impérios do mal não são realmente permissivos, e o feliz casal foi desfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi, mas ele não ficou... com seu irmão e seus pais, ele disse que a amava, e que se casariam no verão, por isso ia até ela, como ela já fez uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-8987974966830935964?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/8987974966830935964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=8987974966830935964&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/8987974966830935964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/8987974966830935964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2009/11/du-og-meg.html' title='Du Og Meg'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-2985671763970487581</id><published>2009-10-19T19:54:00.001-07:00</published><updated>2009-10-19T19:54:29.368-07:00</updated><title type='text'>Troco</title><content type='html'>o mundo para ele agora era aquele copo, e o besouro verde esmeraldino se debatendo em sua parede interna, persistindo em uma situação sem rotas de fuga. uma voz perdida no salão fora de foco pedia, ou melhor, ordenava, que ele deixasse o pobre inseto ir. sem sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seus olhos estavam fixos nas patas finas do inseto tentando galgar o vidro, nos hélitros que se debatiam numa tentativa frustrada de içar vôo para longe da prisão vítrea do copo de requeijão emborcado. indiferente ao sofrimento que com certeza o pobre coleóptero passava, ele se divertia com um sorriso largo empurrando pra cima as maçãs do rosto, e com um brilho quase demente iluminando as pupilas dos olhos cor-de-mel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eventualmente, ele se cansou, por ora, de observar o claustro do besouro. ergueu o copo com a mão tampando incompletamente a abertura, virou o copo ao contrário pra renovar o ar, e mais uma vez o apoiou na mesa, mantendo o prisioneiro por uma noite de xadrez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sono solto, e no dia seguinte acorda com os olhos embaçados de sono e remela, mas já sente algo distinto ao seu redor. põe-se de pé na cama, mas não fica. sua cabeça bate em algo, e ele quica de volta pra cama, confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o teto estava baixo como jamais estivera, as janelas, hermeticamente fechadas, e a porta desaparecera em meio ao papel de parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levanta-se de gatinhas, e vai até as paredes, tateia-as como em busca de algo, os olhos correm pelos quatro cantos do aposento anormalmente pequeno, até que se deparam novamente com a janela, e ele engasga uma indescritível interjeição de susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bem no vidro da janela, que estava fechada e vedada, havia um rostro verde brilhante, com olhos grandes de contas tomando totalmente os lados da cabeça, e duas antenas oscilantes. até uma pata fina e comprida, cheia de espinhos e pêlos se dispoz a batucar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-2985671763970487581?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/2985671763970487581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=2985671763970487581&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2985671763970487581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2985671763970487581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2009/10/troco.html' title='Troco'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-6401647270523126562</id><published>2009-10-05T10:30:00.000-07:00</published><updated>2009-10-05T10:30:08.709-07:00</updated><title type='text'>No Café</title><content type='html'>Eles se encontraram num café colonial numa cidadezinha européia perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele trajava roupas que deixavam a entender que não pertencia a lugar algum, ela se vestia com mochileira, mas tinha sua pátria estampada no casaco leve que trazia a tiracolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pediu um espresso e ficou olhando pras fotos branco-e-preto que forravam as paredes de tijolos vermelhos, ela pediu um Martini e ficou brincando com a azeitona empalada no palito de dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então seus olhares se cruzaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu, mas disfarçou logo, não queria deixar muito óbvio o que vira, ela ficou enrubescida, afundou o olhar no martini, com as mãos tremendo de leve, mas não conseguia evitar de levantar o olhar e vislumbrá-lo mais uma vez, só pra enrubescer mais ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram uns instantes, cada um em sí, alinhando os pensamentos. o silêncio do local vazio ecoava nas paredes vermelhas e ásperas. um suspiro estremeceu no peito de cada um. e ele se levanta e sái.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela dá mais um suspiro, alto e desconsolado, e remexe fortemente o Martini com a azeitona empalada, como se estivesse descontando a raiva. de repente ela houve uma lufada de vento que entra quando a porta se abre novamente. era ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele começa a andar vacilante na direção da mesa dela, e ela começa a enrubescer mais ainda, quase mergulhando na taça que segurava nas mãos, pensando no que iria dizer se ele chegasse e sentasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pergunta, com a voz vacilante, se poderia se sentar com ela. ela engrola as palavras por uns instantes, mas controla a gagueira e concede, com um sorriso tímido, mas iluminado, a companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tenta puxar papo, fala de amenidades clichê, do tempo, do charme colonial da cidadela de ruas estreitas e casinhas de tijolo e pedra. ela responde com monossílabos acanhados, mas sem tirar aquele arranjo de dentes brancos e lábios carmim da forma de um sorriso. a conversa flui e ela começa a se soltar um pouco; começam a falar dos motivos de estarem lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não tinha passado, ela só tinha arrependimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas seus olhos ignoraram o passado, e se fizeram pincéis, pra traçar o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O café é repentinamente é tomado duma luminosidade amarela e de uma música local, permeada de um acordeón choroso. não tinham notado o tempo passar durante a conversa, e agora escureceu lá fora, o café acendeu os lampiões e colocou um velho gramofone pra rodar. eles se entreolharam novamente, agora de perto, e foi a vez dele de sorrir acanhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pôs a mão no paletó que vestia, e de dentro tirou uma camélia, que tinha ido colher num canteiro na rua, e estendeu-a à ela, sorriu de leve e pediu-lhe uma dança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-6401647270523126562?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/6401647270523126562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=6401647270523126562&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/6401647270523126562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/6401647270523126562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2009/10/no-cafe.html' title='No Café'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-5801043424361719083</id><published>2009-06-21T07:17:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T07:35:24.522-07:00</updated><title type='text'>Nós Nascemos Narcisistas Novamente</title><content type='html'>&lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Vivíamos&lt;/span&gt; vidas virtuosas, regradas e, ainda assim, tristes e enfadonhas. Resolvemos morrer então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascemos outra &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;vez&lt;/span&gt;. Nascemos Novamente com o dom maravilhoso de Narciso, e a felicidade rebentava em nossas têmporas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascemos Novamente Narcisistas, somos perfeito, imaculado, divino. Desinteressa-nos o &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;resto&lt;/span&gt;, o que é feio, o que &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;desagrada&lt;/span&gt;. Nosso mundo se limita pela nossa tez acetinada, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;extendendo&lt;/span&gt;-se até a ponta de nossos dedos, ou um pouco mais, se este tocarem o espelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, o espelho... Este sim, uma verdadeira maravilha... "Mostra-nos o que é belo e perfeito, ó espelho", &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;dí&lt;/span&gt;-lo em frente a ele e abre os olhos, e verás que ele é o único verdadeiro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;gênio&lt;/span&gt; fantástico neste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascemos Novamente Narcisistas, uma vida &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;parnasiana&lt;/span&gt;, bela, doce, digna de ser vista por nossos olhos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;vítreos&lt;/span&gt;, e de ser vivida e gozada por nossos corpos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;apolíneos&lt;/span&gt;. Somos perfeitos, somos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;angelicais&lt;/span&gt;, somos divinos, somos eternos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também somos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;ingênuos&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-5801043424361719083?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/5801043424361719083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=5801043424361719083&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5801043424361719083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5801043424361719083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2009/06/nos-nascemos-narcisistas-novamente.html' title='Nós Nascemos Narcisistas Novamente'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-2655086290384734046</id><published>2009-05-16T12:29:00.000-07:00</published><updated>2009-05-16T12:30:00.349-07:00</updated><title type='text'>A Refeição de Deus</title><content type='html'>A noite estava tão escura que sequer a fosforescência do visor do relógio sobrevivia à voracidade do tom negro de tudo, e eu seguia com um passo curto e rápido pelas ruas vazias e silenciosas, de concreto sujo e asfalto áspero. Além dos meus passos, ouvia-se apenas o pipilar muito distante de alguma ave noturna, uma coruja talvez, dando um ar de episódio de Scooby Doo à minha caminhada por aquelas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos esquadrinhavam tudo à sua volta, preocupados, famintos, devorando cada detalhe que pudesse ser um alerta, meio paranóia, meio consciência: estava na cidade mais violenta do país, no país mais instável do planeta, e num planeta com tradições belicosas. Cada silvo, cada folha varrida pelo vento, cada vulto para mim era uma ameaça de disparar o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que, chegando à entrada do meu prédio, ouvi uma voz dirigindo-se a mim... “Tem fogo, moço?” dizia a voz em tom manso. No início, foi o suficiente para me deixar ofegante e com tremedeiras, mas depois de ver que era o guarda noturno da rua, as minhas mãos pararam de tremer o suficiente para apanhar um isqueiro no bolso da jeans, e acendendo o cigarro para o senhor semi-acordado com uniforme de segurança. A presença dele não me passou a sensação de tranqüilidade que eu esperava, mas era muito melhor que a tenebrosidade de encarar as amplas ruas desertas. Acendi um cigarro para mim mesmo e me virei para entrar no prédio, mas ele me chamou de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele apenas perguntava se eu não me interessaria em uma partida curta de baralho, para matar o tempo. “Quem trabalha de vigia só faz contar o tempo, ajudar a matá-lo não seria ruim”, disse e lançou um olhar de quem pede um favor. Parte por piedade, parte por não ter motivos contundentes pra voltar pra casa, sentamos ambos numa mesinha de cimento da pequena praça de comércios na frente do bloco residencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dadas as cartas para um jogo de poker normal, ele me olha fundo nos olhos, de um modo constrangedor, e de certo modo, perturbador, e pergunta num tom baixo, quase um sussurro cheio de proibição: “ta a fim de fazer o jogo ficar mais interessante?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pensei em apostas, dinheiro pela vitória numa partida simples, no máximo um “poker por mico”, como nos tempos da faculdade, presenteando o vencedor com o direito de expor ao ridículo um dos derrotados... Mas ele apresentou um frasquinho opaco, com uma pedra porosa branca dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Isso é o que sobra dos sonhos de uma pessoa quando ela encontra com o Destino, face a face” disse com um tom de voz inaudível, como a de quem conta um segredo perigoso, “quem ganhar leva, isso dá a pessoa o poder de ver o que uma pessoa viveu e sonhou”. Indaguei qual seria a graça de ter tal prêmio, ele me censurou com os olhos, como se o prazer de tal prenda fosse algo óbvio e inigualável. “Para sentir na pele o que Deus sentiria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti um arrepio e um embrulho na boca do estômago, que atribuí às quatro vodkas que tinha tomado antes de rumar pra casa, e não a algum receio de ordem religiosa, já que, supostamente, Agnosticismo implica em não temência a um ser de probabilidade questionável. Aceitei a aposta, e abri a mão. Um par de reis, um valete, e umas cartas quaisquer, que descartei para pescar mais um valete e um rei. Full House, vitória sobre a trinca de noves do vigilante. Arrematei o frasquinho na mão e corri para o meu apartamento, como quem obteve algo maravilhoso, mas incrivelmente ilegal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para o vidro com um olhar cheio de gulas, vendo a pedrinha branca deitada no fundo, tomando um espaço irrisório no receptáculo. Comecei a conjecturar sobre a pessoa que gerou a pedrinha, seu destino, o que lhe ocorrera para gerar aquela “Idea Sephirah”, como dizia em um game que eu jogava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Idea Sephirah só surgia com a morte... Era isso que o vigilante dizia quando falava em “Destino”? Dúvidas começaram a me assomar, mas a atração pelo frasquinho e pela pedrinha sobrepujavam em parte os medos, e um desequilíbrio se formou em minha mente... O frasco me chamava, me consumia, e ao mesmo tempo me enchia de terror. Aquilo era o mais próximo de uma alma sólida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... Quem me provaria que aquilo era mesmo a alma de alguém? Quem me provaria que ela fora extraída de um humano? Meus dedos resvalaram na tampa, e as perguntas mudavam sutilmente... Quem poderia me culpar por ter a alma de alguém? Deus? E ele lá existe? E se ele existir, quem garante que é contra? Depois disso, foi o som de vidro raspando de leve, um baque surdo, e o arfar pesado do meu peito se silenciando noite adentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-2655086290384734046?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/2655086290384734046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=2655086290384734046&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2655086290384734046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2655086290384734046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2009/05/refeicao-de-deus.html' title='A Refeição de Deus'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-2944312115535117367</id><published>2009-04-27T08:01:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T08:42:20.902-07:00</updated><title type='text'>Um Sorriso Ao Vidraceiro</title><content type='html'>Era uma manhã de domingo tórrida, mas mesmo assim Agatha estava profundamente agasalhada. não porque realmente sentisse frio, mas porque tinha pudores com seu corpo. Não que fosse casta, religiosa, ou algo do gênero, mas porque sua pele estava rajada de vergões quase negros. Socos, cacetadas, cinturadas... tudo que estivesse ao seu alcance era ferramenta ao seu marido nesse ritual pontual de flagelação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas olhavam curiosas para Agatha, com roupas pesadas num dia quente, e a poucos quarteirões da praia. Uma verdadeira fortaleza de pano em meio a um mar de sungas, asa-deltas e fios-dentais. E chorava. Não de dor, ou de humilhação, mas de raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começara a seis meses, no aniversário de um ano de casamento dela. o marido sempre foi um homem tempestivo e instável, mas a tratava como uma rosa delicada. Podia ser a criatura mais irracional e bruta com o mundo, mas era um cuidado especial, quase sufocante, para com sua esposa. Até que ele entrou no emprego novo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma alta companhia o chamou para ser o analista de riscos nos investimentos, uma verdadeira revolução na vida dele, que não tinha conseguido muito mais que consultorias esporádicas com empresas de porte menor, e muitas vezes que não pagavam. Começou a frequentar as reuniões dos grandes figurões engravatados, que terminavam em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coffe breaks&lt;/span&gt; luxuosos, com uísque, charutos Churchill e conversas acaloradas com os soberbos e notáveis cabeças da companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia fatídico chegou após uma reunião, onde após dezenas de planilhas apresentadas, gráficos destrinchados e a garantia de milhões de dólares em lucros, foi quase que ovacionado pelos presentes, e carregado em júbilo e vitória pelos MBAs até um bar próximo, para um drinque, ou dois... ou dez. No meio de uma dessas conversas truncadas, o cabeça do grupo começa a falar da vida íntima,da casa, da "patroa", e de "estapear a coroa". Tudo com um ar de orgulho, como se defendesse uma tese... Aos ouvido do marido de Agatha, de origem humilde, as palavras de um homem de sucesso como ele pareciam uma lei... e após o expediente, rumou para casa decidido em torná-las realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carne macia e tez lisa de Agatha reagindo violentamente com os dedos dele deram gosto ao homem que antes a tratava como uma jóia, e o gosto se tornou hábito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao evocar tais lembranças, Agatha prorrompe em lágrimas, e dispara ao caminho de casa, trombando nas pessoas, que não pareciam dar bola para o choro dela, não notavam que nela ameaçava não mais bater o éter da vida... o único que esboçou reação à passagem desconsolada dela foi um maltrapilho, sentado no meio fio, com uma garrafa de destilado envolta num saco de pão, que olhou para o rosto dela com seus olhos baços e disse, em tom de ordem. "um sorriso ao vidraceiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agatha olhou-o atônita, emergindo da profusão de lágrimas, sem entender a mensagem... ao menos ele a distraiu do seu choro dolorido, e acalmou seu passo em direção ao ninho de sofrimentos, onde passaria por mais vexação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontra o marido desmontado na cadeira, roto, suado. tinha ido trabalhar na véspera e recém voltara para casa. fedia a álcool e fumaça de tabaco; e quando a viu, abriu um sorriso sádico. Ela apressa o passo para passar por ele, mas ele a segue, e a derruba na cama do casal, crispando os punhos. Olhando-a quase de frente,segurando os pés agitados dela com os joelhos, inicia o flagelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não há escapatória?" pensou Agatha, enquanto os nós dos dedos de seu marido fustigavam-lhe o queixo, "isso será o que sempre me acompanhará?". Seus olhos giravam nas órbitas, quando de repente, as palavras do mendigo pularam em sua memória... "um sorriso ao vidraceiro", e ela abriu os olhos timidamente, ao sentir que ataque cessara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia cessado, mas um momento de alento se criara enquanto seu marido, envolto em um halo de luz cegante, tirava o cinto. Agatha espreme os olhos, cegada pela luz da janela, e continua com a fala do mendigo na cabeça... "o vidraceiro..." pensou, ao sentir os pés livres do aperto do marido, que travava uma batalha com o cinto enroscado, "o vidraceiro" ecoou em seus ouvidos quando se os meio sentada na cama...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o vidraceiro!" pensou quando calcou os pés no peito do marido, e o empurrou pela larga janela com vista ao mar, espatifando o vidro com o impacto, e alçando o algoz à um vôo de despedida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-2944312115535117367?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/2944312115535117367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=2944312115535117367&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2944312115535117367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2944312115535117367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2009/04/um-sorriso-ao-vidraceiro.html' title='Um Sorriso Ao Vidraceiro'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-5626840795549369312</id><published>2009-04-21T16:12:00.000-07:00</published><updated>2009-04-21T16:14:01.688-07:00</updated><title type='text'>A Manhã do Arlequim</title><content type='html'>Arlequim era o espírito belo e vivo dos bailes, era a fagulha que acendia a chama da alegria e vivacidade da noite e das festas. Enquanto o Pierrot era o espírito melancólico e poético que revestia a atmosfera das festas com o romantismo de outrora, e com a suave tristeza que sempre permeia os que vêem um baile acabar, o Arlequim era a fagulha que mantinha as pessoas buscando a energia e vibração luminosa da música, que mesmo embebida pelo lirismo delicado do Pierrot, tinha melodia e ritmo fortes do Arlequim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo assim, o Arlequim era melancolias infindas por dentro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arlequim, sempre com seus sorrisos brilhosos de verniz, as mãos quentes e fagueiras a comandar donzelas na dança, os pés ligeiros e olhos despertos para a agitação nos salões; guardava dentro de si uma melodia soturna que lhe toldava de nuvens de chumbo o coração que mentia felicidades aos convivas dos bailes. Por mais que fosse o Pierrot que entoasse suas desventuras de amor pela colombina, que por ele não tinha nada mais que um afeto distante e raso, era o Arlequim que voltava acompanhado tão somente da garra que lhe apertava o peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a mentira, essa sim era grande amiga do Arlequim! Ela permitiu que arlequim continuasse a distribuir sorrisos de porcelana fria e a fazer mesuras ocas para os passantes, por mais que o seu coração ganisse ressequido de agruras. Foi ela que o permitiu tocar a vida de papel que ele levava. Pierrot podia ler Schopenhauer, os pessimistas, sofrer do Mal-do-século, ter uma lágrima perene pintada na bochecha por sua musa indiferente, mas era Arlequim que regava suas noites insones em álcool e em ganidos de uma dor indelével que residia além de suas carnes. Era o Arlequim que sonhava com um alento que cada dia parecia mais longínquo de chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, Arlequim continuava com seu papel de mesuras e sorrisos, vivendo um teatro com final incerto, mas trágico, e enredo encantador, mas falso e repetitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, numa bela manhã de julho, uma brisa fagueira varria as cidades, o sol afagava com seus raios tépidos as calçadas e telhados, e um sorriso assumiu um ar diferente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um par de lábios acostumados a prostrar-se em sorrisos de cera, gélidos e calculados, moldou-se frouxamente num sorriso abominável, mas ao mesmo tempo relaxado. As maçãs desse rosto sempre altas e brancas, enrejilhavam-se frouxas, e os olhos sempre agudos, mas de uma expressão vazia, agora estavam baços e úmidos. Todo o conjunto pendia para um lado sobre ombros de pouco caso, de braços pendentes, que panejavam molemente ao lado do tronco roliço e frio. Frio? Sim, ele estava regelado naquela manhã, e pendia de modo momentaneamente grotesco, mas que parecia exalar um alívio... Arlequim agora com certeza tinha o peito leve, e o sono dos justos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-5626840795549369312?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/5626840795549369312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=5626840795549369312&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5626840795549369312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5626840795549369312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2009/04/manha-do-arlequim.html' title='A Manhã do Arlequim'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-7829972587763791206</id><published>2009-03-30T16:16:00.000-07:00</published><updated>2009-03-30T16:21:59.720-07:00</updated><title type='text'>Manicômio (o canto da sereia)</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:EN-US;} @page Section1  {size:595.3pt 841.9pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:35.4pt;  mso-footer-margin:35.4pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p style="font-style: italic; color: rgb(204, 0, 0);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family: lucida grande;"&gt;AVISO: o conto demanda um complemento! procurem a faixa "Antarctica" de Emilie Simon, trilha sonora do filme "A Marcha dos Pinguins"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic; color: rgb(204, 0, 0);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O quarto jazia escuro, e eu encolhido a um canto, não sei quem poderia estar lá. Um cadáver? Ratos, baratas? Não sei, ignoro, não consigo ver no breu que preenche a sala. Tudo que posso perceber acompanhando a escuridão é o rumorejar da minha respiração, estirando a pele macilenta por cima das costelas expostas na cadaveria de meu ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Mas uma voz fremente invade suave meus ouvidos, e com ela vez sons difusos, formando uma melodia de compasso estranho. Compasso que perturba o coração que ficou dias esquecido no escuro, e agora palpita descompassado e atônito debaixo dos trapos que visto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;E assim começa a dança catártica da minha insanidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Tudo o que via na escuridão, que parecia naquele momento dissolver-se em minhas córneas. Começava eu mesmo a ser escuridão? Não sei, acho que já era escuridão antes mesmo de chegar lá, naquele quarto imundo e escuro, pois ela começou a fluir de meus pulsos e têmporas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;E logo haviam dançarinos a seguir o canto da sereia convulsiva, eles vinham de meu sangue e lágrimas para me assombrar, mas eu via a dança temerária deles em um silêncio maravilhado. Eles fechavam um cerco contra mim, mas eu apenas sorria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;A sereia levantou um arpejo de sua voz, e os dançarinos tremem. Minhas pernas tremem também, e me levanto para me unir aos dançarinos diáfanos, dissolvidos no breu do ar. Eu me tornei um deles, eu me tornei definitivamente escuridão. Eles podem até não ter gostado, mas não há como lutar contra os desígnios da Treva que consome o coração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;A sereia cantou com regozijo pela minha união ao séqüito, desfraldando as notas mais altas de sua lira, e o êxtase parece invadir o microcosmo dentro de cada um. Olhos reviram-se e peitos arfam em um grito mudo. E meu corpo estremece e esfria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: courier new;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Feneço ali mesmo, no quarto escuro e lúgubre, tal qual meu ser, revestido da treva tristonha. Um mausoléu a altura de meu corpo decrépito.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-7829972587763791206?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/7829972587763791206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=7829972587763791206&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/7829972587763791206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/7829972587763791206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2009/03/manicomio-o-canto-da-sereia.html' title='Manicômio (o canto da sereia)'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-5650909570815656242</id><published>2008-11-22T08:10:00.001-08:00</published><updated>2008-11-22T08:12:57.623-08:00</updated><title type='text'>Volta</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Um telefonema no meio da madrugada acorda Sula do seu sono solto no quarto de hotel. Ela não consegue se recordar do que disse ao telefone, tão sonolenta como estava, mas lembra-se que marcou uma pequena reunião com a outra ponta da linha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A contragosto, no dia seguinte, põe-se de pé e vai tratar da tal reunião, que tomou seu lugar num pequeno cubículo reservado na área de conferências do hotel onde ela estava. Entrou e sentou-se numa das duas cadeiras que estavam "ao redor" da única e pequena mesa que havia no recinto de paredes nuas e brancas. Então, logo depois, entrou aquele que a chamara até ali.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;De pronto ela via o rosto seco de um homem, que sentou na outra cadeira e proferiu pesadamente:&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;“Eu sei o que você fez”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Sula estremece, o que o estranho queria dizer com tal ameaça clichê?&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Mas, antes que ela falasse, ele tira um envelope pardo de uma pasta executiva que carregava até então, e dispôs algumas fotos na mesa. Sula olha atônita para as fotos, que datavam de poucos dias atrás: fotos dela com outros homens, mulheres... coisas que fariam o Marquês de Sade ruborizar-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;“como conseguiu isto?” ela pergunta, não querendo acreditar que o estranho homem de camisa branca e suspensórios conseguiu evidências fotográficas de tamanha devassidão, logo dela, considerada mulher modelo e educadora exemplar, incorrigível.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O homem apenas se calou e olhou-a com o cenho franzido, aumentando as rugas do rosto já frouxo pela idade e vícios. Ele não responderia jamais a pergunta, mas replicou com outra: o que ela faria agora?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;“Sabe, seria um desastre se essas fotos vazassem, principalmente para seu marido e seu filho”&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Sula estremece mais uma vez: tinha esquecido da possibilidade de sua família descobrir tudo. O prestigio que ela e seu núcleo familiar harmonioso tinham na sociedade era imenso, um golpe como esses jogaria as manchas da desgraça sobre todos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Ela olha para o homem – que permanece hirto e imóvel, como que entalhado em pedra – pronta pra suplicar-lhe, mas engole o choro iminente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;“o que queres de mim?” ela disfarça o tom vacilante da voz pra tentar crescer na situação e, se desse sorte, intimidá-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Ele apenas sorri, fecha a pasta, deixando as fotos espalhadas sobre a mesa. Levanta-se e anda em direção à porta, mas antes de sair, se dirige a ela, e diz, ainda mais seco do que no começo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;“chora, assim como você me fez chorar um dia”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;“Calisto?” ela olha, como que o reconhecendo nas névoas de um passado longínquo e inocente.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Ele não responde, apenas tenciona o rosto e dá uma risadinha pra dentro, e atira um pequeno frasco de vidro na mesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;“Toma-o, se as lágrimas secarem”, e sai, trancando a porta com a chave.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-5650909570815656242?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/5650909570815656242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=5650909570815656242&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5650909570815656242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5650909570815656242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2008/11/volta.html' title='Volta'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-2297550961859218521</id><published>2008-10-23T13:53:00.000-07:00</published><updated>2008-10-23T13:55:39.089-07:00</updated><title type='text'>Doçura</title><content type='html'>Pamela era, entre suas seis irmãs, a única que via as coisas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas quatro irmãs mais velhas, e as duas mais moças, viam as coisas de um modo simples, árido até: ou as coisas eram, ou não eram, e ponto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pamela tinha em seus olhos cor de abelha algo que ninguém, eu acho, possuía até depois da infância. Seus olhos claros e esperançosos tinham uma capacidade de maravilhá-la infinitamente, fazendo que as pessoas de corações arcaicos e asfaltados pelas coisas da vida moderna e consumista achassem-na insana ou, no mínimo, boba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é: Pamela via uma beleza infindável no desabrochar de uma Maria-sem-vergonha de pétalas rosadas em meio ao cinzento doente do concreto das calçadas da metrópole balofa onde morava. Até o vôo desengonçado de um saco de supermercado carregado para próximo do alto dos prédios pelo vento fazia com que ela soltasse exclamações de jubilo, ao menos por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olha que raro isto, Mãe!” ela dizia com os olhos quase lacrimosos de tão abertos e fixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Isso é só um saco de lixo carregado pelo vento!” dizia de forma ríspida e grosseira a mãe de Pamela, amargada pela vida mal dirigida, e pelas muitas horas cheirando acetona entre seus trabalhos de manicura “Você já tem vinte-e-um anos, pare de ser tão abobada!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pamela nem ligava, continuava admirando o suave rebolar do saquinho de plástico na ventania, sem prestar atenção no comentário ofensivo e ríspido da flácida e pudinosa figura da mãe, frustrações e vícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou, a mãe morreu de doenças relacionadas ao rancor, e as irmãs viviam vidas submissas, apanhando dos maridos e indo às missas com saia abaixo dos joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pamela, por sua vez, continuou sorrisos radiantes, e conseguiu manter a jovialidade no coração, e a beleza que tinha quando novinha, a despeito do acinzentar e enrugar de suas irmãs. Não precisou se casar para viver um amor infindável e gratificante, pois já o tinha com o mundo e suas pequenas belezas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-2297550961859218521?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/2297550961859218521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=2297550961859218521&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2297550961859218521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2297550961859218521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2008/10/doura.html' title='Doçura'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-2244918681493314658</id><published>2008-10-10T06:02:00.000-07:00</published><updated>2008-10-10T06:04:33.944-07:00</updated><title type='text'>O Cachecol (histórias da solitude)</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;A minha vida foi sempre meio sozinha, como se fosse eu predestinado a viver diferente, nas entrelinhas. Por causa disso, não era muito carinhoso, muito disso devido à ausência de amor familiar, mesmo com pais presentes, e vivia isolado do mundo e das pessoas; mesmo quando aparentava me dar bem com elas, e estar próximo delas, física e emocionalmente. Também varias vezes amei e fui fragorosamente e infalivelmente&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;não correspondido, me sobrando assim algumas (muitas) mágoas.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O Mais interessante de tudo, é que quando se tem a impressão de que tudo está mudando, acontece de ser justamente o contrário!&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Bem por causa disso que eu preciso lhes contar essa pequena historia de minha vida, sobre um cachecol que ganhei dias atrás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Uma boa alma, piedoso arcanjo de penas azuis, fez um cachecol com suas próprias mãos e deu-mo, em um dia que tinha tudo para ser igual aos outros demais. Fiquei exultante com o presente, como há tempos não me via ficar. Passei-o prontamente pelo pescoço e fui alegre e iluminado assistir minhas aulas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Na classe, as línguas pútridas e ferinas dos desocupados convivas da sala, prontamente se intumesceram em criticas e comentários pouco elogiosos quanto o meu cachecol de listras azuis e brancas. “é efeminado”, “é infantilóide” eles disseram, mas em palavras muito menos amenas que as que apresento. E eu, prontamente, para rebater tais comentários, usava minha dor de garganta&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;como justificativa para o cachecol. Até tossia de leve, como para por um ponto final na discussão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Mas as gentes indesejadas não se dão por satisfeitas até levar alguém por terra, independente de ser alguém a quem adoram dizer que “querem bem”. E assim, me cansei de lutar contra todos mais uma vez, e deixei desde então o cachecol guardado com carinho em uma gaveta dedicada apenas as coisas muito bem quistas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;A verdade é que aquele cachecol não me protegia durante dor de garganta alguma. A verdade é que eu sentia uma coisa muito diferente naquele cachecol.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;span style="font-size: 12pt; font-family: georgia;"&gt;Aquele cachecol para mim era um abraço.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-2244918681493314658?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/2244918681493314658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=2244918681493314658&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2244918681493314658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2244918681493314658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2008/10/o-cachecol-histrias-da-solitude.html' title='O Cachecol (histórias da solitude)'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-7976464351455506381</id><published>2008-09-22T13:06:00.000-07:00</published><updated>2008-09-22T13:08:16.704-07:00</updated><title type='text'>Retorno Para Oz</title><content type='html'>A vida cansava Camila mais do que a qualquer outro ser sobre a Terra. O circuito cama-trabalho-supermercado-igreja-cama tinha exaurido sua vontade de viver de uma vez por todas, e ela praticamente vegetava, seguindo o fluxo da rotina pré-estabelecida pela sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, aconteceu de uma noite, mais precisamente no Equinócio de Primavera, Camila não conseguir dormir suas seis horas habituais, que de nada traziam descanso, apenas relaxamento material. Em vez do sono torpe e sem sonhos, ela presenciava um estranho fato em seu diminuto dormitório: uma pequena porta de madeira escura e maçaneta reluzente aparecera no espaço entre o roupeiro e a parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atônita, levanta-se e abre a porta, prostrando-se de joelhos para tentar ver o que poderia haver detrás da porta, pouco maior que sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma interjeição de espanto, um arrepio, e Camila tinha sido misteriosamente transportada para o outro lado da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela agora experimentava a ausência de peso de uma queda livre, causando-lhe um misto de assombro divertido e medo. Será que morreria da queda? O que poderia haver no fim daquele “precipício”? E o mais importante: como teria ela chegado até ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa gama de acontecimentos e sensações parecia tê-la despertado do torpor que ela tinha vivido por toda sua vida adulta. Ela voltara a ter a percepção maravilhada de mundo que uma criança possui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camila sentiu que podia voar, e começou a agitar os braços no compasso constante das aves. Logo ela tinha conseguido tomar o controle da queda, tornando-a um vôo suave, que a levou suavemente ao solo, aportando em um imenso prado esmeraldino, pontilhado de flores multicores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sorriso iluminou seu rosto, como a muito não se via, e, na alegria segura de uma criança livre, pôs se a correr e gargalhar por entre as flores do prado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-7976464351455506381?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/7976464351455506381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=7976464351455506381&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/7976464351455506381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/7976464351455506381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2008/09/retorno-para-oz.html' title='Retorno Para Oz'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-5209859433814046826</id><published>2008-04-22T11:38:00.001-07:00</published><updated>2008-04-22T12:03:22.416-07:00</updated><title type='text'>Memórias da pane no tempo</title><content type='html'>Aos que me lêem, um bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei que dia ou que ano é agora, para vocês meus leitores, mas sei que eu congelei em um dia de minha vida cinza, que se repete vez após outra, infinitamente e &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;ininterruptamente&lt;/span&gt;. Todo dia, após acordas, vivo os mesmos fatos: a humilhação, a batida de carro, o orgasmo fugidio e clandestino com um completo desconhecido. Dia após dia, o tempo todo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o que é tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lhes pergunto porque não mais sei o que ele é, nem o que é sua passagem. &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Desde&lt;/span&gt; sempre vivi a vida como um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;autômato&lt;/span&gt;, apenas &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;subsistindo&lt;/span&gt;. Com a fatídica repetição dos dias, nada &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;aprendi&lt;/span&gt; e muito esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o que é o saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês talvez entendam o conceito, e dele participem sem perceber. Eu abandonei a escola antes de sequer &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;começá&lt;/span&gt;-la &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;efetivamente&lt;/span&gt;, troquei-a por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;porres&lt;/span&gt; e libertinagem, que me levaram à vida de escravo da rotina. De meus tempos de escola disto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;exatos&lt;/span&gt; vinte anos. Este tempo afastado dos estudos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;enrijeceu&lt;/span&gt; meu cérebro;  e a vida maldita &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;enrijeceu&lt;/span&gt; meu espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar no assunto, e Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem quer, Deus pode ser uma força que nos rege, um salvador, uma inspiração; algo real, em suma. Mas, para quem vive uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;subvida&lt;/span&gt;, encalacrado nos mecanismos do relógio do cosmos, vendo aurora se repetir à exaustão toda vez que se abre os olhos, vendo as mesmas pessoas, nos mesmos casos, vendo a degradação que se aloja em cada um dos seus próprios &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;atos&lt;/span&gt;, sabe que "Ele" é uma alegoria &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;pífia&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não tenho &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;mais&lt;/span&gt; tempo para discorrer o assunto com vocês. Já chegam as nove horas, e o ciclo começa a se refazer para &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;mais&lt;/span&gt; um dia que já ocorreu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-5209859433814046826?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/5209859433814046826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=5209859433814046826&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5209859433814046826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5209859433814046826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2008/04/memrias-da-pane-no-tempo.html' title='Memórias da pane no tempo'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-9089888751410373295</id><published>2008-04-17T10:18:00.001-07:00</published><updated>2008-04-17T10:38:41.890-07:00</updated><title type='text'>Hiroshima</title><content type='html'>Imagine-se em um dia ensolarado, numa cidade calma, em um dia comum. Você está andando pelas ruas da cidade, e vê pessoas despreocupadas, falando &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;umas&lt;/span&gt; com as outras, carregando sacolas, indo ao trabalho ou à escola. Tudo parece normal; mas você sente algo pesado no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você olha para o céu, tentando entender essa sensação, e tudo o que você vê é um azul plácido, resplandecente, quase sem nuvens. Também sente uma brisa suave, que te &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;passa uma&lt;/span&gt; sensação de paz; e você sorri...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri até ver o motivo do peso no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Vulto de um anjo se forma contra a claridade branca do sol, e você se esforça para divisar as formas negras dele. Algo toma posse de sua alma, e você petrifica onde parou, e todos parecem ter sumido de seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anjo da morte continua mergulhando do firmamento; e sua face horrenda invade tuas retinas. Você cai de joelhos, com os olhos marejados de lágrimas, sentindo o fim de tudo galopar em sua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;direção&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Anjo toca o chão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com ele se levanta uma nuvem de fogo e destroços, que se espalha, junto com o ódio &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;vindo&lt;/span&gt; do coração desse anjo decaído. Também se espalha uma estranha energia, que te &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;engolfa&lt;/span&gt; como uma onda; Você sente essa energia te consumindo, atacando cada pedaço, cada átomo do seu ser, destruindo-o e remontando-o grotescamente. Você &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;cai&lt;/span&gt; no chão, seus ossos parecem em chamas, sua pele se desfaz no ar, e você ouve ao longe a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;hedionda&lt;/span&gt; gargalhada do anjo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;mais&lt;/span&gt; luz, não há mais ar, não há mais dor.&lt;br /&gt;E então, nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-9089888751410373295?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/9089888751410373295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=9089888751410373295&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/9089888751410373295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/9089888751410373295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2008/04/hiroshima.html' title='Hiroshima'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-1843728937072946085</id><published>2008-04-11T16:05:00.000-07:00</published><updated>2008-04-11T16:34:05.308-07:00</updated><title type='text'>Vôo ao luar</title><content type='html'>O vento da noite soprava gélido, e fustigavaos longos cabelos negros de Anita. Ela estava encolhida na laje de seu prédio, trajando apenas uma camisola, com a pele arrepiada e os olhos marejados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas lágrimas caiam como pequenos petardos salgados e mornos na calçada enquanto ela chorava em silêncio, admirando os trinta andares que a separavam do chão. Algo negro batia silencioso em seu coração e a corroia por dentro, afogando-a cada vez mais em uma espiral de sofrimentos e angústias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anita sentia um nó na garganta: queria pular, mergulhar ao chão, encerrar a sequência de desastres em sua vida com um encontro brusco com o solo, mas também tinha algo que a segurava. Aglo como medo, mas que vinha com o vento frio, e com o leve fprmigamento nos pés que sentia ao contemplar o fundo mergulho que o separava da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela respira fundo, e sente seus pulmões arderem da friaca do vento noturno e outras tantas coisas, que fizeram-na se resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anita levantou-se, pos-se de pé na quina do edifício, abriu os braços, olhou a lua minguante, e esta pareceu piscar para ela. Ela inspirou de novo e deu um passo ao vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação doce de não ter peso invadiu-lhe o corpo, e ela sorriu enquanto ia pairando em direção ao solo, a camisola branca panejava fantasmagoricamente à parca luz do luar, e ela ria suavemente enquanto os segundos descorriam. E depois, nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roupas de um negro sóbrio e olhares tristes e pesarosos permeavam o salão, odne todos perguntavam aos outros e a sí mesmos: por que Anita parecia sorri de dentro de seu caixão, à caminho do sepulcro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-1843728937072946085?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/1843728937072946085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=1843728937072946085&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1843728937072946085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1843728937072946085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2008/04/vo.html' title='Vôo ao luar'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-5058633442525382214</id><published>2008-02-19T09:08:00.000-08:00</published><updated>2008-02-19T09:49:30.444-08:00</updated><title type='text'>Visitas Dominicais</title><content type='html'>Ana Terra vivia sua vida em paz com tudo e todos, curtindo os sons e sabores que a vida lhe dava, sem interferir com a vida de ninguém. E ninguém jamais interferiu na dela, excteo por um fatidico encontro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um domingo de brisas amenas, quando ela despia-se de suas obrigações e se espreguiçava morosamente no sofá de sua sala de estar, a campainha interrompeu a quietude do dia com um soar frenetico e insistente. Com pronunciada preguiça ela se põe de pé e espia pelo olho mágico da porta, vendo do outro lado da porta senhor engomadinho e alinhado, com camisa dentro das calças e gravata, careca escovada e óculos fundo-de garrafa. Ele carregava um volume encadernado em couro, facilmente identificado como uma bíblia, debaixo do braço. Ele pede para entrar; e ela sabia que ele ia falar sobre "o messias" e toda a falácia incomoda usada sempre pelos crentes fanáticos para acossar aqueles que visitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana deixa-o entrar, fervilhando de ódio pela incômoda interrupção em seu esplêndido domingo. Ela pretendia acabar com tudo rapidamente, já ele parecia disposto a falar por horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim ele começou sua arenga evangelista, e Ana escutava tudo de cara fechada, apoiada na mesa de jantar, meio de lado. O tomara-que-caia dela escorregou um pouco de seu ombro, revelando uma fina tatuagem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O incômodo falante silencia-se um momento, arruma com os dedos a coroinha de cabelo que sobrou em volta de sua careca precoce, e perguntou de que se tratava a tatuagem no ombro de Ana. Ela explica que se trata de um ideograma de alguma religião primitiva, um símbolodos deuses antigos pré-cristãos; e instintivamente tampou o desenho com a manga novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o suficiente para dar ignição na furia reacionária fanática religiosa retrograda do incômodo visitante. Ele se pôs a berrar, chamando-a de "mundana", "satânica", acusando-a de heresias e pactos com satã e outras tantas ofensas ridículas. Ela fala para ele se retirar de sua casa, mas ele continua dizendo que coisas a ela, e dizendo que vai purificar o local, banindo-a do convivio das boas almas para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Terra tinha chegado ao limite. Ana Terra tinha sido tolerante o suficiente. Ana Terra então agiu instintivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas mãos se fecharam firmemente em volta do pescoço do crente incômodo, cortando-lhe o ar, e levantando-o até a altura dos olhos dela. E ela o prensou contra a parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos se travaram em volta da garganta do inconveniente escorado na parede. Ana admirou a vermelhidão das veias dos olhos aflorar fortemente no rosto dele, e também acompanhou a perda do brilho nos olhos dele, viu as cores sumirem de seu rosto, seus óculos cairem e se partirem. O corpo dele se debatia e esperneava, mas logo sossegou com o passar do tempo no aperto; e logo suas faces arrochearam e seus olhos viraram. Ana Terra deixou o corpo molenga cair no chão, inerte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, ela nunca mais precisou se levantar e atender visitas indesejadas no domingo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-5058633442525382214?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/5058633442525382214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=5058633442525382214&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5058633442525382214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5058633442525382214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2008/02/visitas-dominicais.html' title='Visitas Dominicais'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-89861814938786200</id><published>2007-12-15T12:12:00.000-08:00</published><updated>2007-12-15T12:46:02.104-08:00</updated><title type='text'>Martinis &amp; Tesouras</title><content type='html'>Cristina jazia na cama de campanha do quarto de visitas de sua casa. Estava completamente bêbada, desfalecida e esparramada, com uma das mãos arrastando no chão e uma manta torcida em seus pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma música vagamente épica tocava na sala, onde um velho tocador de LP arranhava um dos seus muitos "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;bolachões&lt;/span&gt;"; e com essa música, uma centelha de lucidez se formou na mente dela ao ouvir tal melodia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá dentro da mente de Cristina, a centelha tentava fazê-la entender o que ocorrera para ela estar ali atirada como um cadáver e aquela música tinha algo à ver com aquele estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristina estremeceu: a centelha parecia ter formado uma onda em sua mente, e com ela vieram imagens turvas de rostos, formas, cores e alguns sons. Mas tudo logo que chegava, ia-se embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Exceto&lt;/span&gt; uma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rapaz de rosto agressivo falava-lhe algo que ela não recordava, mas que sabia que a ofendera de algum modo; ele também a tocava na cintura de um modo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;incômodo&lt;/span&gt;, e ela o empurrara com a mão para afastá-lo, derrubando seu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;drinque&lt;/span&gt; na camisa branca dele. Ela sai cambaleando pelo corredor, e ele empurra Cristina para dentro do quartinho onde ela agora estava. Ele tranca a porta, abafando a balburdia da festa, e fazendo qualquer som que fosse produzido no quarto ficar inaudível para o meio externo. Ela exala pânico; ele, ódio, furor e álcool. Ele &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;desafivelava&lt;/span&gt; o cinto com as piores intenções; ela se escorava na parede em desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na parede, Cristina encontra uma tesoura pendurada ao seu alcance. Ele continua avançando de armas em punho. Ela estica o braço, e as lâminas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;gêmeas&lt;/span&gt; acalmam o rapaz com golpes curtos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristina &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;reune&lt;/span&gt; seus esforços e energias, e abre os olhos vagarosamente. Ela constata que o vulto do rapaz, com a camisa agora vermelha, jazia imóvel no chão do pequeno &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;cômodo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristina da um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;muxoxo&lt;/span&gt; de desprezo e de sono, e volta a dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-89861814938786200?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/89861814938786200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=89861814938786200&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/89861814938786200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/89861814938786200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/12/martinis-tesouras.html' title='Martinis &amp; Tesouras'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-1100535140163024977</id><published>2007-11-29T12:55:00.000-08:00</published><updated>2007-11-29T13:22:35.781-08:00</updated><title type='text'>Conto do ônibus</title><content type='html'>Embarquei em um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;ônibus&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;inter&lt;/span&gt; estadual esta noite, numa tentativa desesperada de ir embora de minha terra e recomeçar do zero. Sentei num dos bancos do fundo, e acomodei minha mochila entre meu pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após, me seguiram mulheres com crianças, um velho com capote e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;chapéu&lt;/span&gt;, um chapéu que me lembrava o de um almirante, e um rapaz de farda militar. Todos se acomodaram nas poltronas do fundo, ocupando toda a traseira do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;ônibus&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;ônibus&lt;/span&gt; partiu chacoalhando fortemente. A noite estava muito escura, e os postes esparsos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;projetavam&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;lampejos&lt;/span&gt; fantasmagóricos de luz dentro do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;ônibus&lt;/span&gt;, que iluminavam os rostos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;pesarosos&lt;/span&gt; e cansados dos viajantes. Havia um ar de cumplicidade entre todos nós, viajantes &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;noturnos&lt;/span&gt;, como se nossos destinos estivessem unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viajem seguia calma, não houve um único bandoleiro para importunar o motorista ou aterrorizar os passageiros. Quase todos dormiam, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;exceto&lt;/span&gt; alguns poucos que liam livros para passar o tempo. Um rapaz na janela da traseira fumava um cigarro, só não sei de quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorri com os olhos os bancos iluminados pelos fachos de luz que vinham do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;teto&lt;/span&gt;, e cruzei olhares com uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;menininha&lt;/span&gt; que não se deixou vencer pelo sono. ela não deveria ter mais que dez anos, mas seu olhar era o de uma senhora distinta. um olhar firme e austero vinha para mim daqueles olhos verdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele olhar deu-me a certeza de minha escolha, a certeza de ter acertado ao resolver deixar para trás os vícios da metrópole e refazer minha história numa cidadela pacata no interior do estado vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;ônibus&lt;/span&gt; parou numa estação de uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;cidadezinha&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;charmosa&lt;/span&gt; no meio de um local aparentemente árido, mas belo ainda assim. Era naquela cidade que eu iria recompor a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais algumas pessoas desciam do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;ônibus&lt;/span&gt; enquanto eu o olhava uma última vez. E mirando-o encontrei novamente a menina que me dera aquele olhar; acenei para ela, como que diz obrigado e adeus, e ela retribuiu com um sorriso em sua delicada boca. Logo então, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;ônibus&lt;/span&gt; partiu e foi engolido pelo negrume da noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-1100535140163024977?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/1100535140163024977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=1100535140163024977&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1100535140163024977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1100535140163024977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/11/conto-do-nibus.html' title='Conto do ônibus'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-8344872605885875184</id><published>2007-11-21T08:39:00.001-08:00</published><updated>2007-11-21T08:51:16.343-08:00</updated><title type='text'>Esperanças Juvenis</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(antes de ler este &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;post&lt;/span&gt;, baixe as músicas citadas para completar a experiência deste texto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Feist&lt;/span&gt; - 1 2 3 4: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.4shared.com/file/29975444/40be14f0/1234.html?dirPwdVerified=78f3a5ac"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.4shared.com/file/29975444/40be14f0/1234.html?dirPwdVerified=78f3a5ac&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Belanova&lt;/span&gt; - Me &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Pregunto&lt;/span&gt; Porque: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.4shared.com/file/29974711/f759cd06/Me_Pregunto_Porque.html?dirPwdVerified=78f3a5ac"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.4shared.com/file/29974711/f759cd06/Me_Pregunto_Porque.html?dirPwdVerified=78f3a5ac&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;bom divertimento)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Oh, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Teenage&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;hopes&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;gimme&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;tears&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;in&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;the&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;eyes&lt;/span&gt;...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Feist&lt;/span&gt; - 1 2 3 4&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marina estava deitada no banco de trás do carro de seu namorado. Ambos tinham acabado de sair do bar mais badalado da cidade, e estavam meio tontos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava deitada de barriga pra cima, ouvindo músicas dançantes argentinas, enquanto seu namorado guiava o carro, a despeito dos berros de "bêbado desgraçado" dos outros motoristas, reclamando das loucuras que ele fazia com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;birita&lt;/span&gt; na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela nem ligava para os solavancos do carro em alta velocidade, nem para as imprudências que seu amor fazia. Ela apenas relaxava ouvindo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Belanova&lt;/span&gt; cantar "Me &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Pregunto&lt;/span&gt; Porque" e sonhando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tinha esperanças de que ele decidisse se casar com ela, esperança de usar véu e grinalda, de entrar na igreja toda de branco, de vê-lo entrando de fraque, e de ver seus entes queridos emocionados com a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;cerimonia&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas seus sonhos foram interrompidos com um barulho de vidro sendo triturado, de aço se retorcendo, e os gritos de dor de uma voz conhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um poste se posicionou no caminho dos sonhos de Marina. Sonhos que ela sonhará eternamente em seu leito, no seio da terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-8344872605885875184?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/8344872605885875184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=8344872605885875184&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/8344872605885875184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/8344872605885875184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/11/esperanas-juvenis_21.html' title='Esperanças Juvenis'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-2669925351474707696</id><published>2007-11-20T09:20:00.000-08:00</published><updated>2007-11-20T09:28:07.698-08:00</updated><title type='text'>Menino Vadio (ou Missa de Corpo Presente)</title><content type='html'>Ele estava sentado ma primeira fila de carteiras na sala de aula, mas não prestava a mínima atenção à aula de gramática que ocorria logo em frente. Ele estava naquela carteira por força das circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Professora dava, calmamente, a aula para os outros alunos, que e grande maioria, estavam tão desinteressados quanto, senão mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sentia o peso de noites mal dormidas abafarem seus ouvidos e embaçarem sua visão, também sentia seus dedos meio dormentes girarem um lápis, fazendo um risco torto no encosto da carteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Professora tentava chamar a atenção da turma, sem muito sucesso. Ele resumiu sua reação ao ato à um olhar seco, um olhar de desprezo e frieza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, ao longe, a sirene reboa ao longe, e a Professora sai. Ele comemora a saída da Professora em seu íntimo, mas esquece que ainda há a aula seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-2669925351474707696?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/2669925351474707696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=2669925351474707696&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2669925351474707696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/2669925351474707696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/11/menino-vadio-ou-missa-de-corpo-presente.html' title='Menino Vadio (ou Missa de Corpo Presente)'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-1635051237504062152</id><published>2007-11-17T04:07:00.001-08:00</published><updated>2007-11-17T04:30:04.274-08:00</updated><title type='text'>Mediocridade (o espelho)</title><content type='html'>Alice estava rumando para seu quarto, nua, apenas enrolada em uma toalha cor-de-rosa. Era o quarto banho que tomava no dia mas, segundo ela, isso não era futilidade, era questão de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;chiqueza&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega em seu quarto, também cor-de-rosa, e apinhado de roupas que, em sua maioria, sequer foram usadas. Despe-se da toalha, largando-a no chão, e deita-se em sua cama cheia de bichinhos de pelúcia. ao deitar-se, esbarra com as mãos em um embrulho vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice olha intrigada para o embrulho, que jamais tinha visto em seus trinta anos naquela casa. Um embrulho vermelho, quadrado e reluzente; que emanava algo suspeito e encantador. Em uma &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;fútil&lt;/span&gt; curiosidade, ela começa a abrir o embrulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela rasga o papel brilhante, camada por camada, papel por papel, até chegar em uma caixa preta, do tipo que geralmente tem um vestido dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice da um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;gritinho&lt;/span&gt; infantil de satisfação e alegria, tinha certeza que seria mais um vestido pra sua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;coleção&lt;/span&gt;, mais u vestido para mofar nos vários armários da casa, sem ela sequer saber de sua &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;existência&lt;/span&gt;. Abre a caixa lentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;caixa&lt;/span&gt; não havia &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;nenhum&lt;/span&gt; vestido, mas um espelho de prata, envolvido em dezenas de papéis de seda brancos. era um espelho sem nada de especial, um espelho quadrado, com borda lisa, sem enfeites, sem rococó. apenas uma borda branca e fina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;gritinho&lt;/span&gt; de felicidade, pois parecia que Alice adorava passar infindáveis horas à frente do espelho. Automaticamente, ela começa a ajeitar o cabelo e frente ao espelho que ganhara, sabe-se lá de quem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas algo a deteve, e esse algo foi seu reflexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;reflexo&lt;/span&gt; a encarava, mas não do mesmo jeito que ela encarava o espelho. o reflexo dava-lhe um olhar duro, gelado e impiedoso; era um olhar de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;desprezo&lt;/span&gt;, como se a censurasse por ser uma tola &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;fútil&lt;/span&gt; e inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espelho cai da mão de Alice, perplexa, estarrecida. a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;mesma&lt;/span&gt; não mais saiu do quarto...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-1635051237504062152?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/1635051237504062152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=1635051237504062152&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1635051237504062152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/1635051237504062152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/11/mediocridade-o-espelho.html' title='Mediocridade (o espelho)'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-4143240303117853413</id><published>2007-09-07T12:23:00.000-07:00</published><updated>2007-09-07T12:38:35.476-07:00</updated><title type='text'>jogando com a Morte</title><content type='html'>Mas uma vez podia se ouvir o estalido suave do isqueiro de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Dira&lt;/span&gt; sendo aceso dentro do armário do quarto de hóspedes. Ela, que jurara que nunca mais acender um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;bequi&lt;/span&gt; estava lá, mostrando que promessas podem ser quebradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava no fim da linha, tanto que a Morte em pessoa foi buscá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Partes agora, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Dira&lt;/span&gt;, a sua hora chegou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deixa rolar, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;bixo&lt;/span&gt;, sem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;stress&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nada mais está rolando, você envenenou até a última célula nervosa com essa porcaria, isso foi mais que o suficiente por uma vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Dira&lt;/span&gt; cospe a fumaça do baseado na cara da Morte, e fica rindo dela tossir e abanar a fumaça para longe de seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Já chega! você não respeita nem a si mesma, vai &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;direto&lt;/span&gt; ao inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Calma, calma- tenta amenizar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Dira&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;que&lt;/span&gt; se tocou da seriedade da situação- joguemos uma partida de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;poker&lt;/span&gt; apostando a minha vida, se eu ganhar você me deixa em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Morte reclama, mas aceita, pois sabe que ela nem deve raciocinar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Morte joga com &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;técnica&lt;/span&gt;, mas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Dira&lt;/span&gt; tem sorte, ou o baralho foi mexido. MAs, de qualquer jeito, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Dira&lt;/span&gt; ganha todas as fichas da s&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;orte&lt;/span&gt; e ganha o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Morte sai de mãos vazias, e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Dira&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;ri&lt;/span&gt;, vitoriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sai de casa para se abastecer de erva, e é atropelada, morrendo na hora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-4143240303117853413?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/4143240303117853413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=4143240303117853413&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/4143240303117853413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/4143240303117853413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/09/jogando-com-morte.html' title='jogando com a Morte'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-3678918957306185346</id><published>2007-09-07T12:07:00.000-07:00</published><updated>2007-09-07T12:22:25.015-07:00</updated><title type='text'>Vila mexicana</title><content type='html'>Já fazia uma semana que eu estava preso ali, naquela vila mexicana odiosa, sem telefone, sem mecânico para tratar do meu carro, sem sinal de um chuveiro, e sem alguém que falasse português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava sentado na soleira do local que me "acolheu", pensando em como escapar de lá, mas sem frutos; quando, de repente, os locais começaram a fazer uma festa no meio da rua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;enluarada&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens tocando violão "animavam" a festa com um som desarmónico, enquanto mulheres descabeladas, vestindo sais gigantescas dançavam freneticamente no meio de uma roda de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som ensurdecedor das pessoas cantando e gritando não me deixava pensar, e logo estava entrando em minha cabeça e fazia-a latejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a gritar, mandando os "malditos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;ticanos&lt;/span&gt;" calarem a boca e pararem de tocar, que eram duas da madrugada e que não era hora de fazer algazarra. Em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando já estava desistindo de calá-los, e desistindo até de continuar vivendo, uma ruiva fogosa, carregando uma dose de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;tequila&lt;/span&gt; chega sorrindo e diz algo que deveria soar como "relaxa, toma a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;birita&lt;/span&gt; e vamos nos divertir"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a achar que não é tão ruim assim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-3678918957306185346?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/3678918957306185346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=3678918957306185346&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/3678918957306185346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/3678918957306185346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/09/vila-mexicana.html' title='Vila mexicana'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-904247840736806866</id><published>2007-08-10T12:17:00.000-07:00</published><updated>2007-08-10T12:18:24.196-07:00</updated><title type='text'>execução</title><content type='html'>Edgar estava no meio da sala de estar, sentado numa cadeira de praia. Uma taça de vinho tinto na mão, e a garrafa, meio cheia, ainda gelada, de pé ao seu lado no tapete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ar típico burguês, a soberba sensação de esvaziar a segunda garrafa de vinho francês, a cabeça ficando leve...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já está ficando alegrinho de tanto beber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edgar é pego de sobre-salto, a taça de vinho meio cheia escapa de sua mão e se espatifa na parede atrás dele ao perceber que uma mulher vestida em um sobretudo no canto da sala dirigia-se a ele. Ele jamais a vira em sua vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O que você está fazendo aqui? Como você entrou aqui? Quem diacho é você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher já esperava tal reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não entrei, sempre estive aqui; e estou aqui como seu equivalente ao anjo Samiel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edgar começa a ser apossado pelo receio. Sabia o papel do anjo Samiel, vindo de uma ária que assistira, mas não sabia o porquê dela ter essa função. Justo com ele, um judeu dedicado, bom, justo e seguidor dos preceitos. Por que ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quem veste os mortos e dança com eles, deve se juntar a eles, senhor legista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova onda de desespero. Ele agora se sentia como se o tivessem rastreado pela vida toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Certo, então você sabe de meu trabalho no departamento médico legal; mas, você pretende fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ri, joga os cabelos para trás com a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O que tinha de ser feito, foi feito, agora é esperar que o metabolismo aja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edgar deixa escapar um muxoxo de incompreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Fica claro que você não tentou abrir as janelas, pois saberia que elas estão hermeticamente lacradas, o vidro agora é inquebrável. A porta também foi lacrada, e reforçada. O telefone foi cortado, e a luz em meia hora se apagará. A água continuará, para não morrermos de sede, e comida temos para um bom tempo. Agora só nos resta esperar que nossos corpos consumam o oxigênio restante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desespero, Edgar cai no chão e começa a chorar convulsivamente. Mas, com o tempo, lembra-se do cilindro de ar que tem no quarto, resquícios de sua viagem á praia semana passada; também se lembra de seu celular, que ficou no quarto, junto ao cilindro. Ele teria como chamar ajuda; e provocaria fumaça para sufocar a estranha mulher, sobrevivendo com o ar do cilindro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher se levanta calmamente, e ruma ao quarto; logo depois se ouve um estalo e um estrondo. Volta com os pedaços do celular na mão.&lt;br /&gt;-Esqueça seu plano de se salvar com o celular e o cilindro, que, inclusive, encurtou nosso tempo aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edgar olha perplexo para os cacos de celular, e depois para ela, pedindo com os olhos por explicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Um cano foi rompido no banheiro quando eu me livrei do cilindro de ar. Em algumas horas o apartamento vai ser inundado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra onda de desespero. E depois confusão, delírio histérico, anestesia, conformação. Vai até a estante molemente, e apanha uma caixinha. Senta-se á frente de sua executora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joga xadrez?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-904247840736806866?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/904247840736806866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=904247840736806866&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/904247840736806866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/904247840736806866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/08/execuo.html' title='execução'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-3864305555511294302</id><published>2007-08-08T14:43:00.000-07:00</published><updated>2007-08-08T14:57:01.133-07:00</updated><title type='text'>Questão de beleza</title><content type='html'>A beleza pode esconder por trás de sua fachada aprazível, um lado não tão agradável ao observador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Damas ditas belas, com formas perfeitas e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;voluptuosas&lt;/span&gt;; que a olhos vistos parecem tão naturais e harmoniosas, ocultam uma carnificina voluntária em prol de dissimular seus defeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se pensamos à respeito, indagamos como faz a vaidade para convencer mulheres a passarem pelo suplicio de ter maquinas famintas passando por debaixo de sua pele, com intuito de fazerem-se mais enxutas e perfeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também questionamos as razões que levam alguém a pagar para ser dilacerada, em nome do "esteticamente correto", remarcando os traços de seu corpo segundo um padrão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;abstrato&lt;/span&gt; e utópico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo se torna inconcebível, se pensarmos que por mais que as marcas que vem de brinde nisso tudo, por mais que sejam tratadas, escondidas, suavizadas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;maquiadas&lt;/span&gt; e cobertas; ainda estão sorrindo por detrás de suas prisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, quem somos nós, criaturas imperfeitas, desproporcionais e feias, para opinarmos quanto à isso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-3864305555511294302?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/3864305555511294302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=3864305555511294302&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/3864305555511294302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/3864305555511294302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/08/questo-de-beleza.html' title='Questão de beleza'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-5383471890954208052</id><published>2007-07-31T11:10:00.001-07:00</published><updated>2007-07-31T11:43:44.418-07:00</updated><title type='text'>Contato</title><content type='html'>Uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;garoa&lt;/span&gt; fina caia enquanto eu tentava chegar o mais rápido possível num local coberto; tarefa que não seria fácil em uma estrada de terra ladeada por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;milharais&lt;/span&gt; baixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria de me conformar em tomar alguma chuva, até chegar em alguma propriedade, e me amparar numa marquise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que ela apareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do nada, uma garota carregando um guarda-chuva imenso apareceu, e, sorrindo docemente, oferece amparo contra a chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela garota mostrou-se gentil, e me perguntou uma porção de amenidades, o que eu fazia ali, para onde eu ia, o que eu faria em meu destino. E achava graça em ver que eu me envergonhava um pouco ao falar sobre essas coisas com uma estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, ela apenas sorriu e disse que não haveria motivo para me envergonhar, que ela não era mais estranha a partir do momento que começamos a nos falar, e que não teria me acolhido sob o guarda-chuva se eu não fosse confiável. Dito isso eu ruborizei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, e mais alguma conversa, a chuva passou, e chegamos perto do meu destino. Agradeci a "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;carona&lt;/span&gt;", e ela disse que não carecia de agradecimento. Dito isto, despediu-se, e &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;desapareceu&lt;/span&gt; em uma névoa translucida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-5383471890954208052?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/5383471890954208052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=5383471890954208052&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5383471890954208052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5383471890954208052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/07/contato.html' title='Contato'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8413240027979713920.post-5199976551183240468</id><published>2007-07-29T15:01:00.000-07:00</published><updated>2007-07-29T15:28:12.069-07:00</updated><title type='text'>A via de Vera</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Vera estava trancada em seu quarto há dois dias. Ainda estava com as roupas do momento em que surtara, e, para agravar, ficara desfiando a lapela do blazer e a meia-arrastão durante esse tempo recluso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ela não lembrava o porquê de estar alí, parada no mesmo local, em posição fetal, com a maquilagem escorrendo pelas bochechas junto com as lágrimas. Sem se importar com o alito de dois dias, com o celular que marcava várias chamadas não atendidas, com os braços que ameaçavam doer por ficarem tanto tempo abraçando os joelhos, com o cabelo carregado de laquê que começava a desabar sobre o rosto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Também não conseguia lembrar o que fizera nesse tempo recluso, mas ao menos sabia que era uma coisa que a tirava de sintonia, e a livrava das cargas da vergonha, que a empurraram ao seu retiro no quarto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Cansada de ficar na mesma posição, resolve se reclinar no chão, mas sem se estirar totalmente; e toca em algo, que gera um tilintado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Abruptamente, senta-se e começa a esquadrinhar o assoalho, em busca do autor do gorjeio que a tirou da letargia. E por fim o encontra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Uma garrafa vazia de gim, um copo manchado de batom carmim, e, logo á frente, uma pilha de outras garrafas. Ela via e se dava conta que estava com a vista embotada, e a cabeça que latejava. Sentia-se mal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Começa a esfregar as têmporas, e a firmar a vista. E as coisas começaram a vir à tona.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Vera ia relembrando com o tempo, todas as cenas que ela viveu até entrar no quarto e começar a entornar as garrafas. A cada memória, um aperto no coração, um nó na garganta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não aguentou mais, desatou em choro, sentiu a carga do remorso, chegou ao píncaro da depressão. E decidiu que algo devia ser feito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ela levanta-se, cambaleante, e anda apressada até a sacada, tropeçando em seu scarpin. e de lá, descreveu um salto, e um mergulho perpendicular.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;As plumas brancas foram pairando no ar, na via onde Vera caminhava ao Firmamento.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8413240027979713920-5199976551183240468?l=pagin-soltas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/feeds/5199976551183240468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8413240027979713920&amp;postID=5199976551183240468&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5199976551183240468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8413240027979713920/posts/default/5199976551183240468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pagin-soltas.blogspot.com/2007/07/via-de-vera.html' title='A via de Vera'/><author><name>Zero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10578743715230143935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dF8-cy8NzU4/TVLCsWXSH7I/AAAAAAAAAIE/C7ZMG-awpXY/s220/Foto0275.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
